sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Colégio Militar e a postura perante o dever e a sociedade


A ideia de que a natureza tem horror ao vácuo fazia parte da física na Idade Média. Mas esta lei do horror tem corolários na vida actual: os políticos incompetentes têm horror a novas caras nos partidos; os escroques têm horror a uma justiça que funcione; e, do mesmo modo, os bons investidores têm horror a uma justiça que não funciona.
E podíamos continuar, mas vem tudo isto a propósito das notícias recentes sobre o Colégio Militar.

Devo declarar que não frequentei o Colégio, embora com pena minha, porque o meu Pai entendeu que eu poderia ser seduzido pela vida militar e para tal bastava ele. O meu irmão esteve no Colégio, por circunstâncias familiares extremas, não se deu bem, e saiu ao fim de dois anos, se bem me lembro.
Não
tenho, portanto, especiais ligações ao Colégio Militar (CM) mas tenho muitos amigos (e dos bons) que por lá passaram.

As recentes notícias dão uma ideia do Colégio como uma escola de sevícias e de maus tratos. Problemas de maus tratos em escolas sempre existiram e devem ser combatidos com determinação pelas autoridades da escola em causa, mas não faz da escola uma instituição a fechar. Lembro-me bem de, há uns anos na minha Faculdade, terem ocorrido praxes indignas das nossas caloiras e imediatamente o Director de então tomou medidas para que tal não voltasse a acontecer. E não aconteceu. O CM não é excepção, mas o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa com uma longa tradição de serviço ao País.

Recordo, com alguma tristeza, que uma das "regalias" de um militar morto em combate em África era os filhos terem educação gratuita no CM. Por esse facto e por as pensões de sobrevivência serem, à época, absolutamente miseráveis (recordo-me de casos concretos), havia sempre vários órfãos no Colégio. Fazia parte das obrigações dos graduados (ou seja, alunos finalistas do CM) terem não só uns ratas (alunos caloiros) como seus protegidos mas também cuidarem dos dramas de algum aluno cujo pai tivesse morrido. Quem conhece ex-alunos do Colégio sabe que têm uma organização e uma coesão ímpar em qualquer outra escola. Falam do Colégio com saudade e têm um respeito pela instituição como ninguém tem da sua escola. Nela se fizeram amizades que perduram para toda a vida e alguns dos meus melhores amigos são ex-alunos do CM e devo confessar que são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade.

O Colégio Militar dá educação em sentido pleno do termo. Tem um ensino de excelente qualidade e dá quadros de valores que nenhuma outra escola garante.

Em 1975, numa acção de dinamização organizada para os alunos do Colégio por gente afecta ao PCP -Varela Gomes, Faria Paulino e outros- começaram a atacar a instituição e a apelidarem os alunos de príncipes privilegiados.
Um aluno dos mais novos, ou seja com uns 11 anos, levanta-se e calmamente diz que é filho de um oficial que morreu em combate, que se não fosse o Colégio não poderia estudar e não percebia onde estava o príncipe. Os protesto generalizaram-se (teve lugar uma gigantesca boiada, usando a terminologia do CM) e a comissão de dinamização foi forçada a sair pela porta dos fâmulos -porta de serviço- e não pela porta principal. Foi o enxovalho total, apesar de os oficiais tentarem, em vão, acalmar os alunos.
É gente de fibra.

Aliás sempre foi assim. Faz parte da sua história mais antiga que quando teve lugar o atentado a Sidónio Pais gerou-se, naturalmente, o pânico entre a população e as unidades militares ajudaram à turbamulta. A única unidade que manteve a calma, ajudou a população e evitou mais mortos foi exactamente uma unidade do Colégio.
Portanto, a tradição vem de longe.

O ensino tem uma qualidade excepcional e que não é possível sem um internato, onde os laboratórios de línguas e as salas de estudo estão ao lado do picadeiro e da sala de esgrima. Qualquer pai, cá fora, que tente dar a mesma formação passaria o tempo a servir de motorista do filho. É, aliás, uma tradição muito antiga dos melhores colégios ingleses.

Como professor na universidade, sempre que tenho conhecimento de que um aluno meu veio do CM, posso testemunhar o aprumo, o à vontade, a auto-confiança e o profissionalismo com que está numa aula. Tudo isto, em flagrante contraste com os colegas, especialmente os mais betinhos.

Além disso, como os alunos são tratados por igual, têm um número (que vem antes do nome), andam vestidos com farda e os filhos de pais ricos não se distinguem dos filhos de pais pobres. Também por isso, o convívio democrático hierarquizado é a regra. Ainda bem.

O contraste é gritante com o que se passa nas nossas escolas. E a anarquia, quase geral em que vive o ensino secundário, tem horror ao Colégio Militar, obviamente. Aliás, a verdade é mais funda: a anarquia quase geral da nossa sociedade tem horror à instituição militar. Uma instituição organizada, como a militar, que cultiva os valores da honra, da camaradagem, da disciplina e do dever para com a pátria, não pode ser bem vista pela sociedade actual.
A nossa vida colectiva -a civil- privilegia o oportunismo, habituou-se aos casos de corrupção (com ou sem fundamento), tem uma imprensa virada para o escândalo e uma televisão com novelas que são difusoras da falta valores e da ausência dos bons costumes.

O Colégio Militar poderá acabar mas as razões estão na nossa sociedade e não dentro dos muros do Colégio. O horror à decência é dos indecentes.

Autor:  Luís Campos e Cunha - Professor universitário

domingo, 10 de abril de 2016

Atiradores testam “Manto de Invisibilidade” de guerra

Atiradores britânicos e norte-americanos testaram – e aprovaram - um novo material de camuflagem que é um autêntico “manto da invisibilidade” ao estilo do Harry Potter, que os torna literalmente invisíveis no campo de batalha.

Durante o testes nos EUA, os snipers usaram uma camuflagem de alta tecnologia feita de um material, chamado Vatec, que os esconde até de detectores por infravermelhos ou calor. O Vatec pode ser moldado de várias formas e com várias texturas diferentes para se adaptar ao terreno onde os militares se encontram.

Este tipo de camuflagem contém milhares de células sensíveis à luz, que detectam as cores à sua volta e as imitam. O Daily Mail explica que este é apenas mais um passo na investigação de camuflagem, já que se está a tentar replicar a camuflagem natural de animais como lulas e polvos, que se adaptam ao ambiente que os rodeia para evitar predadores.

Xuanhe Zhao, engenheiro do Massachusetts Institute of Technology (MIT), afirmou ao jornal que tem “muita confiança na utilidade deste material como camuflagem militar”. O investigador descreve que neste momento as forças armadas investem milhões de dólares a desenvolver novos padrões de camuflagem, mas são sempre estáticos, e não dinâmicos. Se usar um padrão desenhado para a floresta no deserto, não funciona”.

“Uma camuflagem dinâmica permitiria aos soldados e aos seus veículos adaptarem-se instantaneamente ao ambiente que os rodeia”.

Os testes com atiradores britânicos e norte-americanos foram feitos no início deste ano, no recinto do exército norte-americano para técnicas de guerra experimentais em Fort Benning, na Geórgia. O material criado com esta tecnologia de “modulação de aparência” ainda não está disponível para o campo de batalha, mas isto pode acontecer já nos próximos anos.

“Os rapazes estão desesperados para que o exército britânico compre isto. Em vez de andar com fios, tinta em spray e escudos térmicos, podemos usar apenas este único material, que é muito leve”, explicou ao Daily Mail um militar que participou nos testes.

Fonte: zap.aeiou.pt

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Plantas herbáceas: Beldroega

Beldroega (Portulaca oleracea)
 
 
Descrição botânica: Planta anual que pode atingir os 30 cm de comprimento. Caules rasteiros e suculentos. Folhas opostas, espatuladas, muito grossas, até 3 cm de longitude. As folhas superiores são verticiladas. Flores amarelas, podendo ter até 1,3 cm de diâmetro.
 
 
Habitats: Terrenos cultivados e fertilizados. Não cresce na sombra. É uma das plantas infestantes mais comuns em Portugal.
 
Perigos conhecidos: Nenhum.
 
Usos alimentícios:
As folhas e os caules podem ser consumidos crus ou cozinhados. As folhas jovens podem ser adicionadas a saladas e, como são mucilaginosas, tornam-se ideais como espessante em sopas. As folhas mais velhas usam-se como verduras. As folhas têm um sabor levemente amargo e salgado, e constituem uma fonte significativa de ácidos gordos ómega-3, contendo maior quantidade destes ácidos gordos do que alguns óleos de peixe. São ricas em fibras, vitaminas e minerais, e pobres em calorias e lípidos. Pode-se secar as folhas para seu posterior uso.

100 gramas de planta seca possuem:
Calorias: 16kcal
Proteínas: 17,6-34,5g
Lípidos: 2,4-5,3g
Hidratos de carbono: 35,5-63,2g
Fibras: 8,5-14,6g
Cinzas: 15,9-24,7g
Cálcio: 898-2078mg
Fósforo: 320-774mg
Ferro: 11,2-46,7mg
Sódio: 55mg
Potássio: 505-3120mg
Riboflavina (vitamina do complexo B): 1,12-1,6mg
Niacina (vitamina do complexo B): 5,58-6,72mg
Ácido ascórbico (vitamina C): 168-333mg
 
As sementes são consumidas cruas ou cozinhadas. Podem ser moídas e misturadas a farinha de cereais para fazer pão, biscoitos, etc. As sementes são bastante pequenas e difíceis de colher. Em certas regiões áridas da Austrália, estas plantas têm um grande crescimento e uma planta pode produzir até 10000 sementes, sendo possível colher vários quilos de semente num dia. As plantas são arrancadas e colocadas sobre uma tela. Passados alguns dias, as sementes desprendem-se e podem ser colhidas na tela. Em zonas com Verões frescos e húmidos, a produtividade diminui consideravelmente.
 
100 gramas de semente contêm:
Proteínas: 21g
Lípidos: 18,9g
Cinzas: 3,4g
 
A cinza das plantas queimadas usa-se como substituto do sal.
 

terça-feira, 22 de março de 2016

Os serviços de informação e a crise na Europa e Médio Oriente

Na Alemanha do pós-guerra há duas organizações distintas de serviços secretos.

O Bundesnachrichtendienst ou BND (em português Serviço Federal de Informações), fundado em 1 de Abril de 1956. Tem como objectivo assuntos exteriores à Alemanha e coopera com a controversa NSA.

Depois há o Bundesamt für Verfassungsschutz (BfV, em português: Ofício Federal para a Protecção da Constituição), fundado no começo dos anos 50. Destina-se a problemas internos, vigiando os movimentos e indivíduos suspeitos de porem em causa a constituição do pós-guerra. Tem sede em Colónia.
Movimentos como o NPD e a cientologia estão sob a mira deste serviço de informações.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/servicos_secretos_alemaes_acreditam_que_governo_sirio_foi_o_responsavel_pelo_massacre_quimico.html

http://expresso.sapo.pt/internacional/2015-10-15-Servicos-secretos-alemaes-suspeitos-de-espiarem-Franca-e-EUA-por-conta-propria

O mais activo no envolvimento da crise do Médio Oriente é efectivamente o BND.
A intermediação de confiltos entre Hamas, Hezbolah e Israel são disso exemplo, tal como aconteceu em 2006, no conflito entre estas duas forças e Israel.

O facto de a Alemanha não ter sido ainda alvo de ataques terroristas em larga escala, nem motins urbanos ao nível dos que já tiveram lugar em França pode levar a conjecturar a eficácia destes serviços e a proximidade dos movimentos armados das zonas de conflito.
Presidida por Gerhard Schindler e contando com cerca de seis mil colaboradores, reporta directamente ao Ministério do Interior alemão.

Será que o escândalo de 2014, que levou à expulsão do espião da CIA , em Berlim, causada por um agente da BND, que cooperava com a NSA, que revelou documentos secretos à congénere americana, pode levar a crer que estes serviços secretos dispõem de uma posição estratégica que lhes dá vantagem em relação aos focos de conflito nas imediações na Europa e os movimentos terroristas de que deles resultam ?