segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

... E o Caminho faz-se para Norte...

     Não precisamos da vaidade de participações em eventos de multidões sob os holofotes dos media, tais como meias-maratonas, corridas da época e outras provas mais ou menos folclóricas. Fazemos o nosso próprio caminho, ao nível físico, mental e espiritual.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Actividade em Valongo - orientação com bússola e montagem de tarp

No dia 3 de Dezembro, o Grupo Legio organizou mais uma actividade em Valongo.



Para além da habitual caminhada pela serra, foram revistos princípios de orientação usando uma bússola prismática. Esta foi empregue para determinar o azimute de um ponto de referência. O azimute magnético consiste no ângulo horizontal que uma direcção faz com o Norte Magnético e é um dado precioso em Topografia, Astronomia, Náutica e, naturalmente, no sobrevivencialismo.



No final, houve ainda tempo para montar uma tarp improvisada a partir de um poncho. Para tal, primeiro passou-se uma corda pelos orifícios que se encontram ao centro do poncho. As pontas da corda foram atadas aos troncos de 2 árvores.


De seguida, usou-se uma faca para cortar e afiar estacas, 6 ao todo. Com recurso a uma pedra, as estacas foram enterradas no solo à volta da tarp nos pontos mais adequados para a sua montagem (3 estacas de cada lado da tarp).



Por último, foram usados nós do tipo taut-line para prender o poncho às estacas.


O tipo taut-line tem como vantagem a possibilidade fazer o nó deslizar com o intuito de ajustar a tensão do cordão. Para além disso, este nó é fácil de desfazer, simplificando o processo de desmontagem da tarp.


Após se prender a tarp às 6 estacas, cada uma com o seu cordão, o processo encontrava-se concluído.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O "Enigma" dos Bancos.

                                                                   


  O sistema bancário internacional é visto como um enigma. Talvez pelo facto de existirem mais de 30.000 bancos diferentes ao redor do mundo que possuem quantidades inimagináveis de activos. Os dez maiores bancos, por si sós, contam com mais de 25 triliões de dólares.
Hoje em dia, os bancos parecem muito complexos, mas originalmente foram criados para deixar a vida mais simples.

                                                          Origem dos bancos

     No século XI, a Itália era o centro de comércio da Europa. Comerciantes de todo o continente aqui se encontravam para negociar as suas mercadorias. Mas havia um problema: moedas de mais em circulação.
Em Pisa, os mercadores tinham de lidar com sete moedas diferentes cambiavam entre si constantemente. Esse negócio de troca acontecia, em geral, ao ar livre, em bancos de rua. Daqui surgiu a designação de banco.

Os perigos da viagem, o dinheiro falso e a dificuldade de obtenção de um empréstimo fizeram os mercadores pensarem na necessidade de um novo modelo de negócios. Os corretores dessa época começaram a dar crédito aos empresários, enquanto os comerciantes genoveses desenvolveram pagamentos em moeda escritural.
As redes de bancos de toda a Europa distribuíam crédito a várias entidades, inclusive para as igrejas ou reis europeus.
Desde sempre, e numa descrição mais simples as pessoas depositam o seu dinheiro e recebem uma pequena quantia de juros em troca. O banco com esse dinheiro empresta com taxas de juros muito mais elevadas. É um risco calculado, pois sabem que alguns dos devedores entrarão em incumprimento com o seu empréstimo.
Esse processo é essencial para nosso sistema económico, porque fornece os recursos essenciais para pessoas adquirirem coisas grandes como casas ou carros e negócios por conta própria, ou para a indústria se expandir e se tornar mais lucrativa, criando assim mais postos de trabalho.
Então, os bancos com os depósitos provenientes das poupanças de pessoas e das entidades criam recursos que a sociedade pode usar para os mais diversos negócios.
Outras fontes de renda dos bancos incluem a aceitação de depósitos de poupança, os negócios de cartão de crédito, as operações de câmbio, serviços de notação financeira e de gestão de caixa.
O principal problema dos bancos nos dias de hoje é que muitos deles abandonaram seu papel tradicional de fornecedores de produtos financeiros de longo prazo em favor de ganhos de curto prazo, que acarretam riscos muito mais elevados.
Durante o boom financeiro, a maioria dos grandes bancos adoptaram aplicações financeiras que eram de difícil compreensão e fizeram suas próprias operações em uma tentativa de fazer dinheiro rápido e ganhar milhões de lucros para os seus executivos e traders. Fizeram de alto risco, o que danificou a economia mundial, particularmente em vários regiões do Globo, com fortes implicações sociais.
Exemplo disto foi em 2008, quando bancos como o Lehman Brothers concederam crédito para, basicamente, qualquer um que quisesse comprar uma casa, e assim colocaram os bancos numa posição de risco extremamente perigosa. Isso levou ao colapso do mercado imobiliário nos EUA e em partes da Europa, fazendo com que o preços das acções baixasse drasticamente o que levou a uma crise bancária global e uma das maiores crises financeiras da história. Centenas de biliões de dólares simplesmente evaporaram. Milhões de pessoas perderam os seus empregos e muito dinheiro foi perdido.
A maioria dos principais bancos do mundo teve de pagar biliões de dólares em multas e os banqueiros viram deteriorada a sua imagem de credibilidade de que até aí ainda usufruíam. Os governos dos Estados Unidos e da União Europeia tiveram de criar enormes pacotes de resgate para comprar activos podres e impedir que os bancos fossem à falência.
Novas leis e regras foram postas em vigor para regular o sector bancário. Fundos compulsórios bancários de emergência foram aplicados para absorver os choques em caso de outra crise financeira. Contudo, as reformas mais profundas continuam por fazer.
Já em 2009, William White, reconhecido economista canadiano e presidente da OCDE, advertiu que o sistema financiero mundial vivia numa situação muito periclitante, uma vez que não tinha recursos económicos suficientes para fazer frente a outra crise. Segundo ele, “o mundo sobrevem uma perigosa avalanche de dívidas incobráveis e de bancarrotas que irão pôr à prova a estabilidade política e social mundial”. Acrescentando que “a situação actual é pior que em 2007, uma vez que os recursos e engenhos macroeconómicos necessários para combater a crise estão praticamente esgotados”.

               Cabe aqui revisitar a opinião de um dos maiores filósofos que produziu o Génio Europeu há mais de dois milénios, para que possamos meditar no seu pensamento perfeitamente sóbrio, imbuído em justiça e aplicável à actualidade:  
     "Assim, das duas maneiras de adquirir e de se enriquecer, uma pela economia e pelos trabalhos rústicos, outra pelo comércio, a primeira é indispensável e merece elogios; a segunda, em contrapartida, merece algumas censuras: nada recebe da natureza, mas tudo da convenção.
O que há de mais odioso, sobretudo, do que o tráfico de dinheiro, que consiste em dar para ter mais e com isso desvia a moeda de sua destinação primitiva? Ela foi inventada para facilitar as trocas; a usura, pelo contrário, faz com que o dinheiro sirva para aumentar-se a si mesmo; assim, em grego, lhe demos o nome de tokos, que significa progenitura, porque as coisas geradas se parecem com as que as geraram. Ora, neste caso, é a moeda que torna a trazer moeda, género de ganho totalmente contrário à natureza."  (Aristóteles - "Política" - Apreciação dos Dois Modos de Aquisição)

 

domingo, 20 de novembro de 2016

Plantas herbáceas: Erva-moura


Erva-moura (Solanum nigrum)



Descrição botânica: Planta anual de 30 a 120 cm de altura, de caule glabro (sem pelos) ou mais ou menos piloso, frequentemente anguloso. As folhas encontram-se distribuídas ao longo do caule e dos ramos. Têm forma ovalada, com margens sinuosas ou dentadas, são glabras ou mais ou menos pilosas.
 
 
As flores, dispostas em grupos de 3 a 6, nascem no extremo de um pedúnculo comum que não surge da axila de uma folha, mas sim do meio de um entre-nó. O cálice tem a forma de sino e possui 5 sépalas. A corola apresenta 5 pétalas e tem 6 a 12 mm de diâmetro. As pétalas são de cor branca e curvam-se com o tempo. No centro da corola é possível ver-se anteras amarelas com 5 estames e, no seu meio, o estigma de cor verde. Os frutos são bagas de 6 a 8 mm de diâmetro, de cor negra, alaranjada ou amarela-esverdeada, consoante o estado de maturação.


 
Habitat: Campos de cultivo ou terrenos baldios.

Perigos conhecidos: Não existe consenso quanto à toxicidade das folhas e bagas desta planta para o Homem. Segundo algumas fontes, podem ser relativamente tóxicas mas outras consideram-nas totalmente seguras para comer. Em algumas partes do mundo, esta planta é cultivada com o intuito de usar as suas folhas e frutos na alimentação humana e é provável que a sua toxicidade varie com o local onde cresce. Os frutos verdes contêm a concentração mais alta de toxinas neste planta. No entanto, são raramente fatais. Sintomas podem incluir dores abdominais, vómitos e diarreia.

Usos alimentícios: As bagas podem ser usadas em conservas, geleias e pastéis. Têm um sabor almiscarado, parecido com o tomate mas menos agradável. Só se devem usar os frutos totalmente maduros pois quando estão verdes possuem a toxina solanina. Os frutos contêm 2,5% de proteína; 0,6% de lípidos; 5,6% de hidratos de carbono; 1,2% de cinzas.
As folhas jovens e os rebentos podem ser ingeridos crus ou cozinhados, como hortaliças ou adicionados a sopas. Como já foi referido, deve-se prestar atenção à sua possível toxicidade.
Composição nutricional das folhas (por 100 gramas de peso fresco):
Água: 86,4 g
Proteínas: 4 g
Lípidos: 0,7 g
Hidratos de carbono: 7,6 g
Fibras: 1,6 g
Cinzas: 1,7 g
Cálcio: 210 mg
Fósforo: 70 mg
Ferro: 5 mg
Vitamina A: 2000 mg
Tiamina: 0,15 mg
Riboflavina: 0,15 mg
Niacina: 1,2 mg
Vitamina C: 43 mg

Outros usos: Estas plantas são capazes de remover bifenilpoliclorados (compostos organoclorados tóxicos) do solo. São mais eficazes caso sejam inoculadas com a bactéria Agrobacterium tumefaciens.
 
Propagação: Pode-se fazer a sementeira em estufa no início da Primavera e fazer a transplantação das plantas no final da Primavera.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Remover pesticidas e outros químicos dos alimentos

Apesar de serem uma grande ajuda para os agricultores, os pesticidas não são nada benéficos para a saúde. Por isso, se ainda não compra alimentos biológicos e orgânicos há sempre formas de tentar reduzir ao máximo o risco de ingestão de vestígios destes químicos. O site Health Digezt listou algumas formas simples que, apesar de não terem o sucesso absoluto garantido no que toca à eliminação destes vestígios, podem fazer uma grande diferença:


 Descascar. Nas frutas e vegetais cuja casca é fácil de remover, descascá-los é a forma mais eficaz de eliminar os pesticidas. Passar por água morna. Os especialistas sublinham que deve passar a água morna e não quente. Faça-o nas frutas e nos vegetais que não dão para descascar mas faça-o também naqueles que acabou de descascar, para garantir que remove todos os vestígios de pesticidas.

 Esfregue-os com um pano ou papel. Depois de lavada, esfregar bem uma peça de futa ou um vegetal com um pano limpo ou um pouco de papel de cozinha vai ajudar a remover qualquer pesticida.

Mergulhe-os em água salgada. Se receia que alguma fruta ou vegetal tenham demasiados pesticidas, mergulhe-os durante uns minutos numa bacia de água morna com uma colher de chá de sal grosso antes de os passar por água morna e de os limpar.

 Mergulhe-os em água com vinagre. Alguns pesticidas contêm certos químicos que são absorvidos pela casca do alimento. Uma boa forma de os remover é mergulhando os alimentos numa bacia com água e uma colher de sopa de vinagre.

 Spray DIY. Já há produtos para eliminar os pesticidas à venda no mercado mas pode fazer a sua própria versão caseira com uma colher de sopa de sumo de limão e duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio. Coloque num frasco de spray, abane bem e borrife as frutas e os vegetais depois de os passar por água morna e antes de os secar. (fonte -NOTÍCIAS AO MINUTO)

 Iodo. Talvez um dos métodos mais eficazes, que pode inclusivamente ser utilizado em combinação com outros métodos citados acima. Ver vídeo do médico brasileiro Dr. Lair Ribeiro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Marcha no Parque Nacional da Peneda Gerês (30/10/2016)

Um belo domingo de sol, perfeito para uma actividade ao ar livre. Decidimo-nos por uma rota pouco habitual para o Grupo Legio: O Gerês -  Reserva Mundial da Biosfera de acordo com a UNESCO e uma verdadeira jóia paisagística e natural de acordo com os seus visitantes, frequentadores e habitantes. A subida foi algo cansativa mas ainda assim  agradável, entre o ar puro da montanha, cascatas de água cristalina, medronheiros, azevinhos e todas as outras espécies que compõem a rica e bela flora selvagem do nordeste do Minho.



















 Aqui cabe a narrativa de um pequeno incidente, a título meramente didáctico: No final da caminhada, mesmo no sítio que nos havia servido como ponto de partida, deparamos com uma turista de meia idade que se havia  ferido depois de se expor a um risco desnecessário, numa situação que felizmente e por sorte não teve um desfecho trágico. Para nós ficaram claras todas as lições que temos aprendido com a nossa constante investigação acerca da sobrevivência, montanhismo e bushcraft; lições e orientações importantíssimas que não devemos jamais esquecer:

1 - A atitude prudente e reflectida: Não nos devemos expor a riscos físicos e ameaças sem que haja uma razão e justificativa para tal. Enveredar por uma zona montanhosa e de precipícios sem que haja uma avaliação prévia dos riscos, conhecimento prévio do local e necessidade de vida ou morte pode custar caro. Dor, sofrimento ou morte.

2 - A preparação necessária: Ninguém sai de casa a pensar em se magoar. Algumas vezes, acabamos por nos magoar mesmo em situações imprevistas e em ambientes que oferecem poucos riscos. Um pequeno kit de primeiros socorros numa mochila é algo de grande valia, mesmo num ambiente urbano. 


3 - A forma física apropriada: Esse quesito é praticamente auto explicativo. Você não vai fazer certas coisas se  faltam forças ou se possui alguma condicionante. Se você um septuagenário que está em má forma física e não se exercita com regularidade não deverá fazer certas coisas ainda que o espírito seja jovem e aventureiro. 

4 - A indumentária apropriada: Ninguém vai a um casamento a vestir fato de banho, assim como ninguém deve aventurar-se na montanha com calções de tecidos finos e chinelos. Você de certeza irá se magoar e passar por inúmeros desconfortos. 

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