segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Algumas considerações sobre o Bug-out-Bag (BoB) ou Mochila 72 horas

Ter um bom Bob pode fazer toda a diferença entre sobreviver ou não.

Existem muitas formas e ideias para o fazer, são quase infindáveis as variantes possíveis, além de que cada um tem as suas necessidades, preferências e opinião sobre o que o Bob deve conter (ou não)
Este é um assunto muitas vezes discutido em fóruns e artigos, e o que não faltam são opiniões sobre este
assunto, umas boas, outras razoáveis, outras sem préstimo e outras sem o sentido da realidade.

Bem, aqui expresso apenas a minha opinião, se é ou não o melhor para si, deve ser você mesmo a tomar essa decisão.
O mais importante é que entenda que nada neste mundo é imutável, e esta matéria não é excepção.

Sobre o Bob

Um BoB é para saídas de emergência, neste caso durante um período de +/- 72 hotas,  e não para  viver eternamente nas montanhas (ou outro sitio).

A minha posição quanto ao Bob, é que precisa de ter as coisas que o ajudem a ir até ao local seguro (ou desejado). Nada menos e nada mais.

Viajar leve é o essencial, e não necessariamente viajar confortável.
Se puder fazer as duas coisas, isso é óptimo, mas se necessitar de tomar uma decisão, escolha viajar leve, rápido e manobrável.
Quem sabe, talvez tenha necessidade de correr, saltar, esconder-se rapidamente, rastejar, e tudo isso com oseu BoB às costas…


Por vezes vejo longas listas de itens, de pessoas que acham que irão fazer uma viagem de campismo com o seu BoB. Isso, para mim, não faz sentido.

A escolha da mochila adequada tem a ver com o gosto de cada um e com o que carrega, mas não esqueça que se deve manter sempre discreto, e se está a fazer uma saída de emergência, a ultima coisa que se pretende é dar nas vistas.

Bem, a verdade é que ninguém sobrevive apenas por ter um equipamento com “estilo”.
É preferível uma mochila em tons mais escuros, sem reflectores, construção robusta, se e possível á prova de agua (se não o for, existem capas de chuva universais a preços bastante acessíveis).
A opção de a mochila poder acoplar bolsas ou outros acessórios (plataforma MOLLE) é interessante, e uma mais-valia.

Sobre a Saída de Emergência

Se está a fazer o seu BoB para uma saída de emergência para um local seguro, isso implica que irá demorar X tempo para lá chegar
É óptimo ter muitas coisas úteis consigo durante o caminho, mas ainda melhor é ter algumas coisas úteis e ser capaz de mover-se rapidamente e de forma eficiente.

Pegue no seu BoB, ponha-o ás costas e faça alguns testes reais, especialmente em condições difíceis, e com mau tempo.
Rapidamente irá perceber se tem que ajustar alguma coisa…


Algumas  ideias e recomendações para um BoB simples:

Abrigo
Poncho - é versátil é leve, e de grande utilidade, pode fazer um abrigo com ele.
Para um abrigo, algumas alternativas são a utilização de uma lona, de um tarp ou até de sacos plásticos de
lixo grandes.
Cobertor de emergência - destina-se a proteger contra o calor ou o frio. É leve e ocupa pouco espaço. Existem vários tipos destes cobertores, desde os descartáveis (mais leves) até aos usados pelos profissionais de resgate (mais pesados, mas também mais duráveis).
Saco-cama – este é um item que pode pesar e ocupar bastante espaço. Mas existem uns modelos compactos, de dimensões bastante reduzidas e de pouco peso, no entanto devido aos materiais em que são construídos, têm excelentes prestações térmicas.

Higiene
Papel higiénico – é o todo-o.terreno, dá desde o seu uso óbvio, até limpeza das mãos, rosto ou guardanapo
Desinfectante para as mãos e Toalhitas de álcool – pode usar como toalhetes anti-sépticos.
Sabão – para lavagem de roupas e corpo
Numa situação de saída de emergência, e ao não escovar os dentes por alguns dias, o mau hálito o é menor dos problemas.

Comida
Barras energéticas e MRE´s  - são leves, compactas e bastam para as “tais” 72 horas.
Não pense que a saída de emergência vai ser como um piquenique, ou um passeio no campo. O mais provável é que seja como uma fuga de uma zona perigosa, por isso tem que agir em conformidade. E muito provavelmente irá comer rapidamente, por isso necessita de algo simples.

Água

Não leve muita água (é pesada), mas certifique-se que tem tudo para tornar potável a que possa encontrar.
Cantil com copo  – o cantil como reservatório de água, o copo serve para beber, recolher agua, aquecer, etc , importante que o copo seja metálico para resistir ao fogo.
Filtro de Agua – uma importante solução de tratamento de água, a capacidade de tornar a água potável é
essencial, porque nada garante que a vá encontrar pelo caminho.
Pastilhas Purificadoras – uma solução rápida para tratar a água (mas de menor efectividade)
Uma boa ideia é ter filtros de café, ao recolher agua através dele, muitas das impurezas já ficam no filtro.

Fogo
Bem, em primeiro lugar garanta sempre que tem mais do que uma forma de fazer fogo.
Além do isqueiro tipo Bic normal, se possível, tenha também um isqueiro á prova de vento.
Fósforos de sobrevivência e  Pederneira (firesteel) são igualmente importantes.
Acendalha (por exemplo, bolas de algodão com vaselina sólida, algodão carbonizado) e pastilhas de
combustível sólido (hexamina ou similar).
É possivel que numa real saída de emergência, talvez não possa fazer fogo, talvez não precise de o fazer, ou talvez seja demasiado perigoso faze-lo, mas se tiver essa necessidade é fundamental que esteja em condições de o fazer de forma segura e rápida.
Um pequeno fogo pode fazer muito bem fisicamente, mas em muitas situações, faz ainda um bem maior psicologicamente. Tudo parece diferente quando se tem fogo…
Por isso tudo, relembro, garanta que se precisar tem várias formas de fazer fogo.

Ferramentas  e Outros
Existem três ferramentas básicas, que eu entendo, que devem fazer estar presentes no BoB:
Multitool, Canivete (tipo suíço) e Faca (full-tang de preferência)

Os sacos de lixo grandes, podem ser usados para um enorme leque de coisas, desde dentro da mochila para manter as coisas secas até a um abrigo improvisado.

Ter um  smartphone com GPS é bom, mas não se deve fiar apenas na tecnologia, as baterias podem esgotar, a emergência pode ter sido em resultado de um PEM, por isso deve levar um mapa da área e bússola.
Ah, e certifique-se que sabe como os usar…

Quanto a luz, pessoalmente gosto de levar três tipos, uma lanterna média (de luz forte), uma lanterna pequena e uma lanterna de cabeça.
Conforme as circunstancias pode optar por cada uma delas, ás vezes faz mais sentido usar uma luz forte, outras uma luz fraca para não ser visível a grandes distancias, e outras usar a lanterna de cabeça , deixando as mãos livres.
Ter algumas (poucas) velas na mochila também é recomendável.


Faça um pequeno kit de primeiros socorros, mas se não o quiser fazer pode comprar um já montado. Neste
ultimo caso, não se esqueça de verificar se tem tudo o que precisa, inclusive ligaduras e pensos.


Estar informado durante a saída de emergência pode ser muito importante., por isso tente levar um rádio para obter informações.
Se tiver espaço, existem bons rádios a manivela (estes têm a vantagem de não precisarem de pilhas, mas normalmente são maiores e mais pesados).

Se tiver walkie-talkie, leve-o.
Os PMR (walkie-talkie) funcionam com baterias recarregáveis e/ou pilhas, têm um alcance reduzido de até alguns kilometros, mas não necessitam de licença e são portáteis e leves, por isso mesmo deverão ser uma grande mais valia para as pessoas comunicarem entre elas.

Existem mais algumas coisas que deve também ter: Paracord (algo muito util), e é claro, a imprescindível fita adesiva (duct tape).
Leve também algumas pilhas sobresselentes para as lanternas e rádio.

Quando se trata de como carregar tudo isso e de como o organizar, deve ter sempre as coisas mais importantes rapidamente acessíveis e de uma forma separada na sua mochila.
Isso significa, por exemplo, levar numa bolsa á cintura (ou similar) o  kit de sobrevivência, um pequeno cantil ou garrafa, kit de fogo  e algumas barras energéticas, sem esquecer a bússola e o mapa.  Dessa forma, se por qualquer razão perder a mochila ainda será capaz de determinar o caminho certo e (esperemos) finalizar a viagem

Se já tiver e usar um EDC, ele provavelmente apenas irá ser um acréscimo ao BoB, talvez no cinto ou na parte de fora da mochila ( está a perceber a vantagem da plataforma MOLLE ? ).

Vestuário
Usar roupas em camadas torna mais fácil tirar uma peça se começar a sentir-se muito quente, ou colocar algo se sentir  frio. Não esqueça que se cometer erros nesta área, estes podem levá-lo à hipotermia ou, noutros casos, á exaustão pelo calor ( se sem controlo perder muita água pela transpiração ).

Procure roupas que repelem o vento, sequem rapidamente, resistentes á agua ou impermeáveis, roupas que se mantêm quentes mesmo quando molhadas etc  Tenha  roupas resistentes (calças estilo militar, camisas e outros) e roupa interior térmica no tempo frio.  E garanta que leva um conjunto extra de roupa no seu BoB.

A ultima coisa que se quer é dar nas vistas, por isso roupas pouco usuais, muito diferentes ou especiais vão fazer com que seja mais notado.
Lembre-se que um aspecto muito diferente chama as atenções, e isso nesta situação não é bom…
Se as suas roupas têm um aspecto “bom” demais ou muito "novas", faz sentido fazê-las parecer mais usadas e “sujas” antes de se meter ao caminho.

Calçado
O calçado deve ser escolhido tendo em conta a natureza e o tipo da sua viagem, e não porque outras pessoas dizem que determinada bota ou sapato é o melhor.
As condições atmosféricas fazem toda a diferença, andar ao sol ou á chuva ou com neve exige calçado com diferentes características.

Não cometa o erro de usar as suas botas novas pela primeira vez quando tiver que fazer uma saída de emergência, por isso não se esqueça de usar  o calçado para o testar e adapta-lo ao pé.
As bolhas e abrasões podem prejudica-lo na capacidade de caminhar e comprometer os seus objectivos e planos.

Existem botas de caminhada, em matérias sintéticos (gore-tex e outros similares) que adaptam-se rapidamente aos pés e são muito confortáveis. Além disso, devido ao material ser impermeável e respirante, permite usa-las com conforto todo o ano.

Arrumação e Preparação
Ter o BoB sempre pronto num determinado sítio, faz todo o sentido, mas desde que o vá actualizando para as diversas épocas do ano.

Uma outra boa prática é ter as coisas prontas para a saída de emergência, devidamente arrumadas e
acessíveis, para que possa montar (complementar) rapidamente o BoB.
Pode ter tudo o que é necessário para a saída de emergência de 72 horas de forma ordenada, e onde possa facilmente verificar os itens diariamente.

Uma das razões, é de que não existe nenhum BoB perfeito para cada situação e altura do ano, por isso faz sentido ter algum material disponível, e assim poder escolher rapidamente os itens mais adequados. E lembre-se de que não pode levar tudo.
Em algumas situações faz sentido levar uma coisa, noutras é preferível levar outra qualquer, tudo depende da situação do momento.

Não defendo que tenha o BoB vazio, é claro que existem alguns itens básicos que devem estar sempre na mochila.
No entanto, ter os itens guardados num armário (ou prateleira, ou que quiser) à espera de uma emergência pode ser uma dificuldade acrescida, pelo que deve  conhecer cada item muito bem  e verificá-lo bastantes vezes. É fácil esquecer algo que se tem no BoB (ou armazenado) quando se o deixa algum tempo guardado e sem mexer.
A decisão é sua...

Algumas considerações
O seu BoB deverá ter itens que você realmente saiba usar, por isso é melhor ter material simples que domina, do que coisas (eventualmente especializadas) que não sabe como usar (e talvez sem nenhum uso real).
Bem, neste ponto, até lhe pode parecer que estão a faltar bastantes coisas na sua mochila, mas repare que a sua tarefa com este BoB é a de chegar ao seu destino da forma mais rápida e segura, e não da forma mais confortável.
Quer arriscar, e ser mais lento apenas para ter, por exemplo,  uma noite um pouco mais confortável ?
Quanto a mim, sei que não quero.

Se apesar de tudo ainda acha que deve ter mais uns “extras” no seu BoB, então deverá considerar a possibilidade de esconder material no caminho que vai percorrer durante a saída de emergência.

Isto até tem bastantes vantagens, sendo que uma delas é conhecer melhor os detalhes do caminho enquanto o percorre detalhadamente e procura por bons esconderijos.

Ao estabelecer esses esconderijos no caminho, deverá seguir algumas regras base:

Tente ter sempre mais várias alternativas, talvez umas três formas (caminhos) possíveis para o seu destino de saída de emergência, e esconder material neles, até porque nunca se sabe o que vai precisar e em que condições.

Mais vale esconder pequenas quantidades de material em muitos lugares, do que esconder muito material em poucos. A razão, é novamente o facto, de que não sabe quais as circunstâncias nem as dificuldades que irão ocorrer quando fizer a saída de emergência. É sempre bom ter várias opções…

Tenha algum sistema para localizar correctamente os locais onde escondeu as coisas, é fácil esquecer lugares (e localizações), assim como não os encontrar facilmente, sobretudo quando as condições em que os procuramos são diferentes das com que foram escondidos.
Pode usar um dispositivo de GPS, ou algumas fotos, ou alguma mensagem codificada descrevendo o lugar
correcto. Se for GPS, não confie apenas nele, por qualquer razão pode não funcionar quando precisar, garanta que tem outro meio não electrónico com a localização.
E lembre-se que pode partilhar essa informação (ou apenas parte dela) com outras pessoas da sua confiança.

Aquilo que vai esconder depende da duração da viagem, do tipo de situação, mas mesmo cada pequeno item vai ajudar nessa altura.

Alimentos enlatados, MRE, combustível, papel alumínio, kits de primeiros socorros, fita adesiva (duct tape) e kits de fogo são alguns dos materiais.
Faça uma lista do que acha necessário e depois reveja-a várias vezes, o melhor será faze-lo juntamente com outra(s) pessoa(s).
E claro, use um contentor ou caixa á prova de agua e resistente.

Você até pode ter o melhor equipamento disponível, mas se não o testar, isso pouco significa.
Após ter montado o BoB, vá fazer umas caminhadas e teste tudo.
Tenha o cuidado de o fazer nas diferentes alturas do ano, de forma a garantir que o fez com todo o tipo de tempo que pode apanhar numa real saída de emergência.
Por exemplo: teste o abrigo, tente encontrar um esconderijo à noite, ler a bússola durante a noite, fazer um pequeno fogo com tempo húmido ou chuva, etc etc etc.
Assim poderá ter a certeza que o material que leva funciona, é adequado, e que o sabe usar.

O melhor treino seria fazer o percurso completo da sua saída de emergência até ao local que pretende, tentando simular (o mais possível) uma situação real.

Não esqueça: A velocidade é mais importante que o conforto.
Após testar todos os seus equipamentos, faça as suas escolhas e opções, de forma a tornar o BoB mais leve. De certeza que vai haver material que já não vai querer e outro que irá sentir falta.

Mas o mais importante de tudo, numa situação real, é a pratica.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Sobre alguns mitos de sobrevivência

O mundo da sobrevivência e prepper,  é cheio de preconceitos e equívocos para que possa ler e ver imensas coisas, sendo que algumas delas nada têm  a ver com a realidade, até porque as pessoas estão muito acostumadas a acreditar apenas naquilo que querem.

Outras opiniões estão lá porque motivos mais “escuros” , por exemplo, alguém quer que você ( nós) pense que algo é verdade apenas porque tem boa apresentação. Por exemplo:  “Obtenha esta mais recente  arma
especial  e você está seguro!”.
Quando na verdade todas as armas, em mãos de quem sabe, podem fazer isso.

Há alguns anos atrás, eu li um artigo em que alguém escreveu num fórum de sobrevivência, que usar um skate como meio de transporte para mover-se em ambiente urbano, num cenário de SHTF é uma boa ideia.
Outras pessoas comentaram (principalmente) de forma positiva sobre essa ideia.
Na verdade, o facto é que a pessoa  que escreveu esse artigo nunca experienciou um  SHTF urbano importante, aliás, nem ele nem os outros que  apreciaram a ideia.

Mas depois de  ler esse post, e os comentários positivos, você poderia facilmente concluir que andar de  skate pela cidade num cenário SHTF é uma boa ideia.
Assim irá formar a sua opinião com base numa ideia de uma ou mais pessoas, e de outras que a comentaram positivamente. Repare que todas elas concordam e que o seu raciocínio também faz sentido. Então agora essa nova ideia, pode espalhar-se.

É claro que as pessoas vão descobrir que andar de skate através da cidade, num cenário SHTF, faz tanto sentido como gritar "Eu sou um idiota , por favor dêem-me  um tiro " .
Bem, talvez mais tarde você o possa  usar como combustível para o fogo, ou fazer algum tipo carrinho simples,  e então eu concordo que ter um skate é melhor do que não ter nada .
Usar um skate num ambiente urbano perigoso, onde se deve mover de forma  lenta e cuidadosa ?
Boa ideia, porque isso acelera a selecção natural ...
Os exemplos são numerosos, e enquanto alguns deles são apenas engraçado, outros são mais graves, e pode matá-lo num mundo pós colapso .
Muitas vezes encontra-se artigos e discussões sobre defesa, confronto, combate e similares em blogs e fóruns, e depois de ler a maioria deles,  você pode tomar muitas  ideias e decisões  e porque a maior parte das discussões sobre estes temas são um absurdo, provavelmente você irá tomar algumas decisões erradas.
Andar de skate num cenário  SHTF soa estúpido, e provavelmente você vai perceber rapidamente que é uma ideia errada, mas lembre-se que se tomar decisões erradas hoje, isso  provavelmente irá matá-lo num futuro SHTF.

Ninguém irá perdoar as  suas decisões erradas num SHTF. E isso pode ser  a sorte de outra pessoa…   Fiz-me entender ?

Bem, vamos passar por cima das habituais poucas "verdades" sobre defesa, combate, batalha , luta, violência , etc.

O Bem (a verdade, Deus ... ) está do meu lado , eu (nós) irei prevalecer, vencer, sobreviver ...

Esqueça isso.  Ninguém se interessa pelas razões e motivos porque é certo ou é errado,  num cenário de SHTF.
Se acha que tem alguma vantagem, só porque é um bom homem, está muito errado.
A primeira coisa que, quebra completamente, é o conceito de que o bom irá vencer ou ter "justiça" .
Nós só temos essas ideias porque vivemos muito afastados da natureza.

A natureza é brutal e o bom homem morto continua a ser um homem morto. Você irá encontrar-se em situações em que se vai perguntar por que esta  pessoa morreu e por que aquela  família desapareceu.
As pessoas agora têm esperança no sistema , como uma luta épica do bem contra o mal . Isso não vai acontecer.
A vida de todos está em perigo,  e estamos apenas a preparar-nos para tornar mais difícil, para a natureza e para os outros, conseguirem o que é nosso.

A história é escrita pelos vencedores , por isso não confio muito nela. Muito raramente irá ver uma história completa e verdadeira de sobrevivência, sem “retoques” seja porque razões políticas ou comerciais.
Aqueles que estão preparados e estão dispostos a adaptar-se irão sobreviver. Aqueles que conseguirem rapidamente atirar fora as convenções da sociedade e verem todas as possibilidades, terão vantagem.

É claro que eu sugiro fortemente fazer o bem, com ou sem cenário SHTF , mas por favor não espere que ser bom o salve .

A violência é apenas reservada  para um certo tipo de pessoas

Por que as pessoas são violentas é tema para uma outra discussão mais alargada, mas é errado pensar que apenas  certo tipo de pessoas podem ( efectivamente ) usar a violência .
Tenho visto professores escolares esfaquearem outras pessoas, ou senhoras magras dispararem
metralhadoras. Aquela senhora mal humorado a conduzir na estrada? Pode tornar-se um assassino cruel .

Especialmente quando as coisas começam a piorar após as primeiras semanas, não vire as costas a  alguém em quem não confie a 100%.

Você também tem que ter a certeza de que é capaz de usar a violência. E o que é mais importante, de que precisa de estar pronto para usar a violência, física e psicologicamente .
Se pensar "Oh, eu não posso fazer isso " estará a um pequeno passo de perder o jogo da sobrevivência logo no início do SHTF . Na sociedade regular, a violência não é normal, no pós colapso ou situação de sobrevivência. a violência é  parte da vida ( mesmo que seja apenas na caça ou esquartejar animais, se tiver a sorte de viver no campo ) .

Como as pessoas REAGEM à violência é algo diferente. E você precisa de estar pronto para ter problemas depois de usar  (ou  sofrer ) a violência . É algo a que não pode fugir.
Eu vi pessoas a chorar como bebês após fazê-lo , outros  a vomitar , outros a ter pesadelos ...
Mesmo as pessoas mais “duras”,  que passaram por todo esse período  como "valentões " sofrem anos depois.
Você não pode escapar disso, por isso esteja, igualmente, preparado para essa situação.

Eu tenho o mais bonito (caro) equipamento, armas, munições ... Eu vou sobreviver.

Sim, é fixe ter o melhor material. Mas não se veja numa situação em que o material é o seu dono, em vez de ser você a possuir o material. Bom equipamento não compensa a falta de habilidades e conhecimentos.
Tenho visto homens (mulheres e crianças também) a serem mortos só porque não estavam dispostos a
deixar as suas coisas e partir quando chegou a hora . É estúpido ser morto apenas porque gosta muito de tudo o que possui.

Quando se trata do seu material., tenha a certeza de que está pronto para o deixar rapidamente, se a situação assim o exigir.

O que é que isso significa na realidade?
Se optar por defender a sua casa de saqueadores, mesmo que isso signifique que vai ser de certeza  ser morto, é algo muito estúpido.
O seu plano de fuga é tão importante como o plano de defesa  do perímetro.
Da mesma forma, que se tem uma arma que é muito preciosa, ou diferente , também não faz muito sentido.

Sou atirador muito hábil , e sei como é que isto vai ser , eu já o vi ( em filmes , documentários ... )

Posso escrever páginas e páginas sobre o que é estar num campo de batalha e mesmo assim você não poderia imaginar a realidade , porque é algo praticamente único.
É o caos.

Esqueça os filmes onde os actores fazem piadas enquanto disparam as metralhadoras sobre outras pessoas. Às vezes eu passava por um prédio em ruínas, disparando ao mesmo tempo, e mais tarde eu realmente não me conseguia lembrar de todos os detalhes.

É tão intenso que está a “queimar” esses breves momentos com um enorme stress físico e mental, a fim de permanecer vivo, e para sobreviver a essa luta. É como estar numa espécie de túnel em que você se torna muito como um animal.
As pessoas dizem que isso é bom, porque é um lado ancestral, primitivo e real de nós que aparece e tenta nos proteger.

Um exemplo: Eu sabia quem era a pessoa que gritava enquanto ele e alguns mais lutavam com outro grupo. Ele gritou durante todo tempo que durou essa luta, talvez cerca de 20 minutos ou meia hora, mas não estava ciente de que estava a gritar. Quando tudo terminou, ele descobriu que tinha a boca aberta, e continuava a tentar gritar, mas nenhum som saia da sua boca.
Ficou sem voz durante alguns dias.

Depois de algum tempo eu vou-me acostumar com a violência

Bem, sim e não ao mesmo tempo.
Você pode usar melhor a  violência (de forma mais eficaz ) depois de algum tempo a fazê-lo, mas não se vai acostumar a isso em termos de que deixa de se importar  com ela, ou que não vai ter alguns problemas por causa disso.
São raras as pessoas capazes disso. Você provavelmente irá ter alguns períodos de "insensibilidade" sobre a
violência, ou na verdade, períodos sem sentimentos,  mas isso vai passar.
Eu não sou "bom companheiro" trazendo somente boas notícias e soluções definitivas para mantê-lo vivo. (Não há nenhum, você apenas pode ter menos hipóteses ser morto ou morrer, tendo mais conhecimentos e tomando melhores decisões)

Mas é importante compreender este lado da sobrevivência.
Não é romântico, nem se pode tornar confortável, não importa quão duro nos preparamos.
Se gostaria de ouvir mais sobre isto, junte-se ao meu curso de sobrevivência em que falo sobre o meu ano inteiro a sobreviver numa cidade sitiada.

Traduzido e adaptado de: www.shtfschool.com

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

3 Fases do SHTF

O Terreno Escorregadio

A primeira fase do SHTF começa com uma assustadora normalidade e a mudança da linha de base.
Neste momento isto já se está a desenrolar, e de forma acelerada.
E está a acontecer, lentamente, desde há muitos anos... tendo como base a incapacidade
geral para reagir a mudanças significativas que ocorrem gradualmente.
As pessoas que não se tornam cientes da mudança gradual e lenta, sofrem eventuais consequências indesejáveis.
Quem está no poder (politico, financeiro, etc), sempre soube que a mudança para ser aceite, tem que ser gradual, isto pelo menos até ao momento em que uma massa crítica de úteis "idiotas " a aceitaram, o que resulta num rápido impulso final para a definitiva mudança ou mudanças.
Esse ponto já foi alcançado, e já nos estamos a mover para além dele..


O Colapso

A próxima fase do SHTF é o colapso.
As sociedades, e os seus sistemas de suporte, sofrem falhas abruptas após um longo período de "terreno escorregadio”, o declínio da sua cultura, das suas instituições civis ou outras das suas características importantes como sociedade, e, eventualmente, um repentino colapso depois de accionado ou passado um determinado ponto, “quando caem  do
penhasco”, por assim dizer .
Não há como voltar atrás.
Os factores que podem combinar-se e contribuir para o colapso são económicos, sociais e culturais, a sobrepopulação, o esgotamento de recursos, ou uma grande catástrofe natural ou provocada pelo homem, incluindo guerra ou invasão.
Durante o colapso, e por um tempo, o poder torna-se descentralizado e as pessoas tendem a ser mais auto-regulamentadas e têm muito mais liberdade pessoal com a falta de regras sociais, muito embora o que sobrou da sociedade, como um todo, esteja a sofrer o caos.
Geograficamente falando, as comunidades tornam-se mais isoladas.


O Bloqueio

A terceira fase da SHTF é o bloqueio, um estado de contenção ou uma restrição de movimentos para evitar que pessoas ou informações escapem
Isto é ordenado por alguém no comando e implementado pela força.
A lei marcial ou uma lei de contenção é imposta a uma população instável.
Isto é acompanhado pelo recolher obrigatório, a suspensão de determinadas leis, e dos
direitos civis.
Esta fase final pode ser a mais perigosa, na medida em que irá abranger um período de cumprimento total dessas imposições ou distúrbios graves ou guerra civil, ou até uma mistura de todos.
Preparar-se para isto, e funcionar em cada uma das três fases do SHTF envolve diferentes métodos, escolhas e comportamentos.
Enquanto estamos definitivamente na fase 1, “o terreno escorregadio”, muitas pessoas sabem instintivamente que não estamos longe da Fase 2 , “o colapso”
Você pode ter vantagens importantes se considerar cada uma destas três fases e formar um plano de como se preparar e sobreviver, através de cada uma delas.
O tempo está-se a esgotar. Por favor, passe esta mensagem.


Traduzido e adaptado de: www.modernsurvivalblog.com

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

LA VERDAD DEL AGUA DE MAR! (Entrevista de Miguel Celades a Ángel Gracia)


Companheiros, entreguem as vossas armas!

                Poster de Propaganda bolchevista: Companheiros, entreguem as vossas armas!

   E hoje em dia, organizações governamentais e não-governamentais que advogam a restrição do uso e porte de armas, afirmam que o facto de que todo regime tirânico tentou, tenta e tentará promover o desarmamento da população civil é um "mito".

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Superar a “Tendência da Normalidade”

A “tendência da normalidade” é perigosa, e quase todas as pessoas a têm. Pode dizer-se que é algo normal ter a “tendência da normalidade”, mas aqui ficam as razões  porque deve fazer o seu melhor para a superar ...

A “tendência da normalidade” é um estado mental que as pessoas têm frente á possibilidade de uma crise ou desastre. Porque isso nunca lhes aconteceu antes, assumem que isso nunca irá acontecer.

Isso faz com que as pessoas subestimem a possibilidade da ocorrência de um desastre e os

seus possíveis efeitos. Muitas vezes isso acontece  em situações em que as pessoas não conseguem   preparar-se adequadamente para um desastre.

O pressuposto  em que se baseiam,  é que uma vez que um desastre nunca ocorreu, então nunca irá ocorrer .

Isto também resulta na incapacidade das pessoas para lidar com um desastre uma vez queele ocorra.  

As pessoas com uma “tendência da normalidade” têm dificuldade em  reagir a algo que não tenham experienciado  antes .

Também tendem a interpretar os avisos da forma mais optimista possível, convencendo-se de que é uma situação menos grave. Portanto , elas pensam que tudo vai ficar bem.

É semelhante ao efeito da avestruz , evitam a aceitação dos riscos, fingindo que eles não existem. O efeito avestruz vem da lenda popular, de que as avestruzes enterram a cabeça num buraco para evitar o perigo.


Ter uma grande “tendência da normalidade”  irá impedir a pessoa de se preparar ou ter planos para um desastre.

Talvez a primeira habilidade de sobrevivência que alguém pode ter, é a de eliminar a sua “tendência da normalidade”; ter a percepção de que as coisas podem mudar, e rapidamente. É completamente impossível pensar ou ter planos para um desastre se a sua mente não puder aceitar o que pode realmente acontecer.

As pessoas são criaturas de hábitos . Nós vamos trabalhar da mesma forma todos os dias. As nossas rotinas são praticamente sempre  as mesmas ( a rotina da  semana  e a rotina do fim-de-semana ) . Temos tendência para fazer tudo da mesma forma, ou semelhante á que fizemos da última vez. Pense sobre as coisas que faz na sua vida durante uma semana. A maioria das pessoas fazem as mesmas coisas todas as semanas, até da mesma forma  e com a mesma regularidade. E isto, ano após ano...

Isto vai contra a nossa natureza de pensar ou agir, para além da nossa "normalidade" . No entanto, posso dizer-vos  que uma vez que a pessoa  tomar a "pílula vermelha" (referência a Matrix) e romper com  a sua velha maneira de pensar ( o que é emocionante, e pode ser um pouco assustador), para ver o que deve  perceber e ver, às vezes fora da sua zona de conforto.  Só então é que a pessoa pode realmente começar a perceber o que está a acontecer do lado de fora da sua “parede”, assim como os riscos ( e oportunidades) que lá estão presentes.
Fonte: traduzido de http://modernsurvivalblog.com