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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Doze horas - Um pequeno ensaio sobre um eventual cenário de emergência em Portugal Continental.




         Este não é um texto feito para convencer quem não tem tendência para a preparação a começar a preparar-se; até pode servir para isso, mas não é esse o principal objectivo. Este é um texto baseado em alguma experiência e numa extrapolação das relações de causa e efeito.  Um texto de perguntas e com perguntas.

       Comecemos com uma personagem fictícia, chamá-la-emos Luís. Este Luís é um "prepper", um sobrevivencialista. Anda sempre com o seu EDC , a sua navalha, o seu super telemóvel com super aplicações, a sua lanterna, o seu alicate multi-ferramentas, a sua esferográfica de metal e a sua Bandana... Até pode ter consigo a sua mochila com filtro para purificar a água, barras de cereais, um poncho simples de plástico, água, o seu flint e isqueiro, a  sua faca escolhida depois de uma exaustiva pesquisa e o seu estojo de primeiros socorros com alguma medicação; e sendo assim -  diga-se - o Luís tem comida armazenada para três meses em sua casa. Está à frente e em vantagem em relação à maioria da população na eventualidade de um temporal mais forte, um perigoso incêndio florestal , uma falha de energia resultante de um destes fenómenos, um ataque cibernético ou de um super raro EMP (pulso electromagnético, do Inglês Electro Magnetic Pulse), que pode ser resultado de uma tempestade solar de grande magnitude, ou de algo deliberado.

     O Luís está "safo", mas como todos nós, tem família ...e aqui é que começa a abrir-se o portal da verdade, porque é na família e na comunidade mais próxima que tudo se pode complicar, e que de tudo aquilo que se testa, é aqui que as coisas falham... Para já não falar dos serviços oficiais e de emergência ou protecção civil, no geral.

      São 15 horas e o Luís está em deslocação no seu automóvel ou no Metro...
   Escolhemos um dia já bem quente de Maio, o Luís está a 25 Km de casa, a energia falhou,  o Metro ou comboio ficam parados no meio do percurso, o caos e as filas geradas por acidentes devido à falta de energia eléctrica fazem o trânsito acumular-se em filas de grandes dimensões. Luís telefona para o trabalho e para a família a dizer que está retido no trânsito vai chegar tarde.
      Luís tem mais do que o seu saco de emergência: tem um plano. Ele sabe os 3 locais em que combinou com a sua mulher para um destes casos. A sua filha vai para a casa de um familiar ou para a sua casa ? É independente, já tem chaves de casa? Está na altura de já as ter ? Ou o seu filho está na creche? É bébé...? 
       Luís ouve pela rádio que no distrito onde habita está a acontecer uma falha de energia, o tempo é bom, não chove, vinte e poucos graus...  Luís está há três horas numa fila que avançou 3 Km, estudantes passam num viaduto por cima da estrada, as escolas deixaram sair os miúdos... A sua filha provavelmente vai para casa, se a escola for perto, óptimo...  A sua mulher também, ou estarão a mulher e a filha do Luís em sítios diferentes à espera da boleia do Luís?  Tu tens um plano combinado com os teus "Luís"...? Vamos ao Luís do comboio, este está parado, as pessoas saíram para os terrenos circundantes, o ar-condicionado não funciona, a rede dos telemóveis não foi cortada mas já se notam falhas devidas ao grande numero de chamadas. Milhares de pessoas querem estar com os seus e ao fim de cinco horas já todos disseram que não sabem como vão chegar ou que vão chegar tarde, que faz o Luís ?  Ele tem a sua mochila consigo, começa o caminho para casa pela linha ou por uma estrada próxima em direcção ao seu porto de abrigo ? Se faz, digamos 7 Km por hora e começou a caminhar 3 horas depois do apagão ,já está a meio do caminho, mas optou por uma opção que lhe pode causar uma situação em que a energia regressa e o comboio passa por ele com os não preparados confortavelmente instalados... Mas estes se a falha de luz durar mais de duas horas, e até devido ao stress começarão a ter sede, muita...

       A filha do Luís entrou em casa, passaram 6 horas desde a falha de luz ,teve que subir as escadas até ao sexto andar ,os pais não estão, começa a anoitecer ,a filha sabe que o pai é prepper ,está tudo bem ,a net não funciona, seca!.. A mãe nunca ligou nada a essas coisas da preparação, decidiu ir para casa no final do trabalho às sete ,uma amiga deu-lhe boleia, mas o trânsito não anda e as pessoas tem sede... 

O Luís está no carro, com calma chega o carro para a berma, fecha-o e abandona-o. A maioria dos outros motoristas começa a sentir muita sede e alguma fome... O Luís parte para o regresso a pé, passaram-se oito horas desgastantes. Fez conversa de circunstância com os condutores vizinhos...
        Decidiu caminhar pela Berma, passaram oito horas desde a falha de energia, o caos e os efeitos da desidratação fazem-se sentir nos outros motoristas. O Luís sai da estrada e esconde-se para beber, regressa à berma da estrada, mas eis que vê um bébé fortemente desidratado com uma mãe em pânico a pedir àgua para o biberão, o Luís dá um pouco da sua ou não? Há pessoas aglomeradas junto aos casos mais graves o 112 não atende e oito horas depois da falha de luz, os telemóveis falham por completo, assim como o sistema de comunicações de emergência Siresp. As baterias de reserva acabaram, são onze da noite.

        A mulher do Luís, a que pediu boleia à amiga lamenta que a amiga tenha feito o desvio por sua causa, o trânsito não flui, a amiga tem o bebé na creche, não sabe nada dele nem do marido, não pode inverter a marcha, não tem espaço, há acidentes em vários sítios da cidade, as complicações devido à falta de luz são imensas, muitas das pessoas que usam electricidade para cozinhar não o conseguem fazer. Os restaurantes e hotéis só conseguem fornecer coisas simples e frias... A amiga da mulher do Luís tem um ataque de ansiedade, a mulher do Luís tem mais calma até porque ouviu muitas vezes as ditas "conversas loucas" do marido e dos amigos mas não pode abandonar a amiga. Esta está pálida e os ataques de pânico passam a desmaios... O que deve fazer a mulher do Luís ? Abandonar a amiga, sair do carro, pedir a alguém ajuda para carregar a amiga, forçar a passagem até ao hospital ,nem que para isso tenha que subir a passeios ou até bater noutros carros, assinalar marcha de emergência? Tem sede!

   O Luís chegou a casa ,a filha está lá, a mulher já devia estar há horas. Decide deixar a filha em casa e vai verificar os lugares alternativos do plano para a mulher. O Luís é bom Prepper, tem uma bicicleta, mas esta não tem luz, mas como o Luís é prepper, carrega consigo uma lanterna; conduz a bicicleta com a lanterna numa das mãos, as ruas estão caóticas, alguém lhe pede para parar. Certos carros começam a ficar sem luz... O Luís não pára. Vai verificar a casa dos sogros, que é a quatro kms da sua.
      Ele chega - bolas! - mas ele nunca viveu na casa dos sogros, logo nunca teve a chave! Eles moram no segundo andar, tudo está escuro, a porta está fechada, não há luz para a campainha ou para o porteiro eléctrico, que é que o Luís faz ? Grita pelos sogros ou pela nome da mulher na escuridão da noite ? Parte o vidro da porta de baixo com o cabo da faca de mato para ir bater directamente à porta deles ? Não - Luís grita pelo nome da mulher e dos sogros,  ouvem-no, não há electricidade...Estão assustados, e mais ainda ficam quando se apercebem de que o Luís não sabe da filha, o pai tem uma dôr no peito resultante da apreensão e pelo alastrar da dôr parece-lhe que poderá ser um enfarte, o Luís tem um estojo de primeiros socorros mas não tem preparação de socorrismo. Há algo que deva fazer ? O quê?
      Luís decide que o sogro precisa de ir para as urgências, mas veio de bicicleta, o hospital está a 2 Kms , que deve fazer o Luís ?
     Luís faz parte de um grupo prepper, um dos membros é médico, o que tem o material de primeiros socorros mais completo . Decide ir até à moradia do médico, o grupo até tem walkie talkies mas só os utilizaram nos seus treinos de bug-out e nunca estabeleceram um momento a partir de que altura estabeleciam contacto numa catástrofe- Logo,  mesmo que tivesse trazido o seu, o do amigo até podia estar com a bateria descarregada... Ok, o Luís decidiu ir rápido, pode ser que o amigo esteja em casa, a sogra do Luís, que não é prepper e que conhece bem o vizinho sabe que filho do vizinhos, jogador de hóquei com 20 anos está em casa, bate à porta e conta o sucedido: O jovem oferece-se para carregar o sogro do Luís até ao seu carro e levá-lo ao hospital, o trânsito está a andar bem e as ruas vão ficando desertas... Próximo do hospital, a mais ou menos 250 metros está o caos instalado, há discussões entre condutores, feridos, algumas poucas ambulâncias a passar quando podem...Não dá, são carros a mais não há espaço. O sogro piora a olhos vistos...
        Luís e o vizinho abandonam o carro, carregam o sogro, mas eis que a entrada das urgências está ocupada por ciganos, estes tomaram de assalto o hospital através da coerção e da violência. Para eles os seus feridos têm prioridade... Num hospital às escuras, a forte lanterna do Luís é um chamariz...Os ciganos aproximam-se, querem que este lhes ceda a lanterna para ajudar nos diagnósticos dos seus idosos... Luís recusa e tenta negociar, mas o seu sogro entra já e é visto...Os ciganos sobem o tom, Luís avisa que carrega uma arma de fogo consigo e mostra-a... Terá sido a atitude correcta mostrar uma arma e não fazer fogo? Os ciganos recuam mas não para muito longe.... Luís chega à beira do médico, que está com marcas visíveis de agressões que sofreu aquando do confronto entre os ciganos e dois polícias que os confrontaram. Um polícia e 3 ciganos estão mortos e um outro polícia e alguns outros ciganos feridos. O Siresp não funciona - A polícia não conseguiu pedir reforços, houve tiroteio. O médico vê que Luís traz consigo uma arma de fogo, fecha a porta rapidamente e diz que ele tem que fugir rapidamente do hospital, os ciganos tem caçadeiras e carabinas nos furgões e dentro em breve irão confrontar o Luís...O que faz agora o Luís? Confronta-os, tenta reunir o seu grupo Prepper e tomar conta das urgências cada vez mais às escuras e entre os gritos de dor dos utentes...?
      O médico sabe por experiência do que precisa o sogro do Luís mas a medicação está noutra divisão. A iluminação de emergência começa-se a apagar...O médico diz ao Luís o que tem que fazer e o que tem que buscar, entretanto os gritos histéricos e os insultos entre ciganos e todos os outros pacientes sobem de tom...o Luís corre até à outra sala, entra com a lanterna numa mão e a arma na outra. Pousa a arma para procurar a medicação e os ciganos nesse momento caem-lhe em cima. É selvaticamente agredido e fica inconsciente ...O jovem que o acompanhava foge do hospital...

    Penso que já perceberam onde se quer chegar. O que falhou? O que foi mal feito ? O que nunca deveria ter sido feito? O que fariam diferente? O seu grupo prepper, o seu equipamento e os vossos planos são aceitáveis? Há sempre o imprevisto? A Lei de Murphy será realista?...

      Vamos imaginar que o Luís não tivesse o apoio do filho dos vizinhos...Talvez a  melhor decisão teria sido ir chamar o médico amigo... Mas conto-vos uma coisa: Na pressa não tinha colocado o contra-gatunos na bicicleta e esta teria sido roubada...
    Joguem sempre jogos mentais desse género, imaginem situações hipotéticas e plausíveis. Muitos preppers são capazes de conhecer as espécies das plantas comestíveis ... Ainda assim, como uma grande parte da população Portuguesa poderiam facilmente morrer nas primeiras doze horas de um blackout.
    Já agora, seria este o comportamento de certas minorias, como no caso hipotético dos ciganos ou seria algo diferente?...
    Quanto aos grupos de preppers, se os vossos planos não levarem em conta o facto de que os membros do grupo colocarão em primeiro lugar as sua famílias, é porque esses são planos pouco realistas e com uma grave falha.




segunda-feira, 2 de abril de 2018

O "Top 10" dos erros dos preppers...




1º Erro - Focar-se demasiado no equipamento em vez de adquirir habilidades necessárias: Quem é que não conhece aquele prepper que parece focado acima de tudo em adquirir equipamentos de alta qualidade? É claro que é bom ter equipamentos de qualidade, mas ainda melhor é adquirir as habilidades e competências apropriadas. Pensem no MacGyver. É óbvio que se trata de uma personagem fictícia, mas o conceito é sólido! McGyver é o sujeito que não possui nada além das suas habilidades, seu engenho, inteligência e capacidade de improvisação. A lição aqui é: Não basta ser um coleccionista de equipamentos úteis; o ideal é adquirir os mais variados conhecimentos e habilidades.


2º Erro - Não possuir um plano para falta de água: Muitos preppers dão mais ênfase às reservas de alimentos do que às reservas, fontes e estratégias para obter, purificar ou mesmo reciclar a água. Nada se faz sem água, ela é fundamental não só para a nossa hidratação e preparação de alimentos, mas também para a higiene.


3º Erro -  Não possuir uma biblioteca!.. Vivemos na Era Digital, onde tudo está online, num tablet ou smartphone. Numa situação realmente catastrófica, todo esse conhecimento poderá estar inacessível.
         Independente da quantidade de conhecimento que tenhas, é sempre uma boa ideia ter uma biblioteca mais diversificada quanto possível: tudo é válido, desde química básica e técnicas de sobrevivência a livros sobre plantas medicinais e clássicos da literatura Universal.


4º Erro - Não fazer "rotação" de suprimentos: Varie a sua comida, água, baterias, equipamentos e tudo aquilo o que for utilizável. Não armazene coisas que nunca vai usar. Se tiveres uma despensa, consuma os seus alimentos e reponha-os, se possuir um reservatório de água, use e reponha.


5º Erro - Negligenciar a higiene: Não ter produtos de limpeza e higiene pessoal, erro gravíssimo. A higiene oral (algo largamente negligenciado por muitos preppers) também é algo fundamental. Quanto mais limpo fores, mais saudável serás. Numa situação catastrófica isso pode fazer toda a diferença!


6º Erro - Pressa e precipitação: Onde vais? tem calma, respire!.. Muitos preppers iniciantes têm-se tornado paranóicos com o facto de não se conseguirem preparar rápido o suficiente - faz sentido... Mas isso os sobrecarrega e essa sobrecarga faz com que cometam erros - Compram coisas das quais não precisam, gastam muito dinheiro e negligenciam coisas nas quais deveriam ter atenção.

7º Erro - Não possuir plano de segurança: Estás em retirada (bugging out)? - Poderás não ser capaz de fazê-lo. Estás a "resistir" (bugging in)? Poderá ser necessário evacuar a área. Qualquer que seja o seu plano inicial, será necessário um plano B para o caso do A não funcionar, e depois disso, também é boa ideia ter um plano C, D e E.

8º Erro - Não testar o seu equipamento e a SI PRÓPRIO! Como já foi dito antes; Há por aí muitos preppers que limitam-se a armazenar coisas - NÃO SEJAS ESSE TIPO! Teste o seu equipamento, saiba como funciona; esteja confortável com ele, e o mais importante, testa a ti próprio, saia da sua área de conforto e use as suas habilidades - Não possuis nenhuma? - Pois aprenda algumas, treine, adquira experiência. Isto afinal é o que conta.

9º Erro - Não incluir toda a gente à sua "Família Imediata": Ênfase em "família imediata" - A família pela qual és directamente responsável, ainda que essas pessoas não tenham acreditado em ti no que toca a sua previdência com a preparação; o que infelizmente é uma grande preocupação em muitas habitações preppers. Você ainda é responsável por eles e não gostaria de abandoná-los em tempos de crise, então prepare-se por eles, ainda que eles não se tenham preparado por eles próprios. Certifique-se de que eles saibam onde está tudo, na eventualidade de não estares por perto. Eles poderão não agradecer no momento, mas talvez o façam posteriormente.

10º Erro - Ser tacanho a respeito do cenário para o qual te estás a preparar: Se vives numa zona de furacões, deves te preparar apenas para a eventualidade de um furacão? Não. O Ideal é estar preparado para o maior número de cenários possíveis...

Em princípio eram apenas 10 erros, mas o autor do vídeo vos oferece mais um, por cortesia:

11ºErro - Jamais conte a todos acerca dos seus esforços de preparação. Todos na vizinhança dirão que estás louco mas na eventualidade e uma crise, terás um alvo gigante estampado nas costas e rapidamente se lembrarão de ti. Portanto, seja selectivo em relação às pessoas com as quais comunica acerca da sua iniciativa.

                                                            * * *

                                                                           Tradução livre por Geraldo Legio.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Suidlanders: Os homens que se preparam para a guerra civil na África do Sul.

       



        Na seqûencia da entrevista de Lauren Southern por Stefan Molineux no artigo que publicamos em 4/03, viemos trazer mais esclarecimentos sobre o tema... O vídeo que se segue, aborda a própria razão de ser do «prepper», que é o momento no qual a própria existência do individuo e da comunidade são ameaçadas. A parte que publicamos é um excerto de cinco minutos do que será o famoso documentário de Lauren Southern sobre a actual situação na África do Sul.
    O video mostra-nos entre outras coisas, como deveria ser o trabalho do jornalista. Estes jovens como Lauren Southern são financiados por “crowdfunding” (ou seja, financiados pelos seus próprios fãs e seguidores; logo têm de apresentar um bom produto, ao menos comprometido com a verdade).  
     A todos aqueles que desejarem saber mais sobre o assunto, segue-se o link oficial da página, junto com a nossa viva solicitação de que façam uma doação, pois o assunto em pauta é uma causa sensível, esquecida pelos demagógicos veículos mediáticos oficiais, pelos políticos Europeus,  pela Nato, Diplomacia Americana, et caterva. Ajudemos a trazer essa realidade ao conhecimento público!
      Já há alguns anos são as famílias dos Bôeres do Sul de África que têm sido alvos de opressão e violência na própria Nação (outrora próspera) que criaram. Desejamos que amanhã não seja a sua família e comunidade noutra parte do mundo.
Deus abençoe os Bôeres!

Link Oficial da Página de Lauren Southern - https://laurensouthern.net/farmlands/
Link da Página Oficial dos Suidlanders  - https://suidlanders.org/




terça-feira, 11 de abril de 2017

Adaptação ao cenário de emergência e a outros imprevistos.

        

             Nos nossos dias, há grupos que se treinam e preparam para cenários caóticos e apocalípticos.  Temos assistido, ainda que de forma discreta, a agrupamentos de pessoas que se congregam em comunidades de número variável, denominados preppers, tendo em mente cenários de resistência e de sobrevivência. 
       Neste sentido, ensaiam actividades e procedimentos, tais como construção de Bunkers, armazenamento de comida para meses ou anos e treino de defesa contra possíveis atacantes ou invasores das suas propriedades. Isto para além das autoridades nacionais e de protecção civil que têm por objectivo a preparação e a reunião de meios para responder a acidentes localizados de grandes dimensões. Porém, estas últimas, na minha opinião, não reúnem condições para responder com eficácia e rapidez a acontecimentos de grande gravidade, como por exemplo um tremor de terra de elevada magnitude em Lisboa, pelo menos nas primeiras 24 horas, mesmo contando com uma possível ajuda de meios de todo o país e com o apoio dos três ramos das Forças Armadas. Daí que a própria protecção civil aconselhe as pessoas a ter certas provisões de reserva, que são assunto de muitos vídeos colocados no Youtube e descritos noutros sites.
Na minha experiência pessoal de situações de emergência, acidentes com familiares na estrada, emergências médicas e experiências pessoais, é valioso o conhecimento dos efeitos do stress e a exacta noção de como as pessoas reagem. O medo é o sentimento que prevalece e dá origem às mais diversas reacções, o que se intensifica nos nossos dias, pois todos contamos com as mais diversas facilidades no nosso dia-a-dia, proporcionadas por todo o tipo de dispositivos e equipamentos electrónicos e informáticos. 
      As pessoas, de um modo geral, não pensam nem se preparam - com previdência e treino - para grandes desastres, como sismos, ciclones, tempestades de grande magnitude, ataques terroristas de grande escala, guerras, acidentes químicos, pandemias, entre outros, pois de um modo geral estão convencidas de que as agências de protecção civil e de socorro tratarão delas atempadamente na maioria das situações, sendo que em alguns casos isto pode ser verdade. Por outro lado, certos meios tecnológicos de que dispomos, em especial o telemóvel, podem ser um instrumento de sobrevivência e em certas circunstâncias salvar muitas vidas. Contudo, devemos pensar melhor se não estaremos a depositar nestes meios demasiada confiança, sobretudo as gerações mais novas. Imaginemos, por exemplo, uma situação em que uma jovem, vendo-se presa por causa de uma intempérie numa estação de comboios, telefona aos pais em busca de transporte e socorro, mas devido a uma chuva muito forte, a linha de comboio fica inundada ou um poste é derrubado, um posto de transformação falha, os meios tecnológicos aqui não podem servir de grande ajuda. 
Não precisamos por isso de imaginar nenhum ataque terrorista nem noutra tragédia de grande magnitude. Basta um acidente que cause o bloqueio das vias terrestres. Lembremos a título de exemplo o que aconteceu no Verão passado no nosso país quando aquele casal português se tornou famoso, ao ter comprado e distribuído água às pessoas retidas na autoestrada, que foram apanhadas desprevenidas num dia de calor intenso de Verão. Por vezes, pequenos objectos como uma lanterna podem evitar situações de pânico, tais como um canivete ou um quebra-vidros dentro de um carro, imagine-se a situação de um acidente rodoviário, em que um sujeito se encontre preso pelo cinto de segurança e se encontre encarcerado com uma criança atrás.  Quanto tempo terá ele de esperar até a operação de socorro chegar? Ou numa situação de queda de árvores devido ao mau tempo. Ou quando se anda sozinho de bicicleta, aqueles que, com frequência saem da estrada, e têm acidentes e ficam feridos, quantos desses trazem algum objecto sonoro como um apito ou de luz para sinalizarem o alerta? 
Há toda uma panóplia de situações várias que podem ser colmatadas por aquilo que se designa por EDC (every day carry - objectos de sobrevivência que devem andar sempre connosco). Passamos então a descrever uma possível lista desses objectos EDC: 
-O telemóvel
-Um canivete com lâmina de dimensões legais, abaixo de 10 cm, os do tipo Suíço são melhores.
-Uma lanterna de boa marca e resistente a uma queda e úteis na defesa pessoal
-Carteira com pensos para feridas e um mínimo de dinheiro, pois se a luz falha não funciona o multibanco
-Uma garrafa com um pouco de àgua
-Um quebra-vidros
-Um assobio ou apito
-Um isqueiro (muito importante, podes ser preciso fazer fogo em várias situações com usos diversos)
-Luvas cirúrgicas
-Medicamentos usados em situações de urgência, como por exemplo anti-inflamatórios e analgésicos 
-Um cinto regulável que possa servir de torniquete ou ajudar a dominar um cão enfurecido
-Calçado resistente


Para complementar juntamos o link do excelente documentário "Britain Blackout". Este demonstra que sem electricidade a sociedade actual fica completamente vulnerável. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E se o seu banco falir?



        Numa época de turbulência económica, financeira e política, há cenários que são colocados em hipótese e geram preocupações pertinentes. No caso de Portugal, situações como as do BPN e do Banco Espírito Santo, cujo número de lesados tem tido impacto mediático significativo, podendo gerar um impacto financeiro também assustador. Neste sentido, muitos de nós com poupanças construídas durante muito tempo e por vezes com algum sacrifício nos questionamos: será que ter dinheiro no banco é seguro? E se o banco falir, está tudo perdido?
       Longe do ruído de notícias e situações conjecturais que andam de boca em boca, há que abordar a situação com factos concreto e certezas assentes na legislação em vigor desde há muito tempo.
       Assim, mediante o tipo de produto financeiro em que está materializada a sua poupança, há mecanismos vários que podem proteger a sua poupança, pelo menos parcialmente. O Fundo de Garantia de Depósitos — FGD é um mecanismo de salvaguarda do sistema financeiro que abrange todos os depósitos obtidos por bancos sediados em Portugal e na UE e, mesmo, fora da UE e que garante um reembolso até um valor máximo de 100.000€ por cada instituição de crédito e por cada titular, incluindo os juros até à data da falência do banco.
       Noutra circunstância, no que toca a fundos de investimento e bolsa de valores, existe o Sistema de Indemnização aos Investidores, que é um mecanismo que visa, essencialmente, a defesa dos pequenos investidores nos mercados financeiros. Criado em 2000, o SII garante a cobertura das verbas devidas a estes investidores pelos intermediários financeiros (por exemplo, bancos, corretoras ou sociedades gestoras de fundos de investimento mobiliário) quando estes não tenham capacidade de reembolso. Por exemplo, se o seu banco falir, está garantido o pagamento de indemnização aos investidores no limite máximo de 25.000€ por investidor, independentemente do número de contas em que seja titular.

Fonte: http://ionline.sapo.pt/501747

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Top 5 das “surpresas” em cenários de sobrevivência

   Recentemente administrei um curso chamado 'A Mile In My Shoes' (Uma Milha nos Meus Sapatos). Nesse curso levei um pequeno grupo de estudantes para a cid­ade onde sobrevivi à guerra para mostrar-lhes fisicamente as realidades daquilo que foi enfrentado. Uma série de lições, é claro, foram aprendidas durante o curso e o mais importante (como eu já esperava): Os alunos chegaram muito mais perto de perceber a "realidade" de uma verdadeira situação de sobrevivência (SHTF). Pensei que deveria compartilhar com vocês as surpresas do "Top 5" que os alunos enfrentaram,significando coisas que eles não haviam pensado ou percebido antes do curso, mas tiveram que aceitar e chegar a uma conclusão...

1) Quão “perto” o combate estará 


     Esta foto, tirada muito próximo à minha casa, é a do que foi uma das "linhas de frente" por algum tempo. Um lado aquartelava-se em casas à esquerda da viela, outro lado (inimigo) nas casas do lado direito. Isto parece INCRIVELMENTE próximo (e é), mas depois de perceber; dá-se conta de que houve momentos em que as "linhas divisórias" estavam ainda mais próximas do que isso. Quando se coloca isso na perspectiva, então se pode começar a pensar sobre a nova realidade , porque não há nada muito estático e seguro quando se está a sobreviver à guerra ou à catástrofe. Um dia a casa ao seu lado pode ser completamente segura, no outro dia poderá haver lá alguém que te queira causar dano, ou simplesmente nunca terás a certeza do quão seguros estarão os seus arredores. Esse é o aspecto mais perigoso do “SHTF” urbano, haverá muitas pessoas numa área relativamente pequena e haverá uma maior demanda por recursos (muito limitados) porque o "sistema" desapareceu. Agora, quando se adiciona a esse cálculo o facto de que muitas casas serão destruídas, então chega-se ao ponto de nunca se saber ou ter certeza de nada, onde está alguém e quais as suas intenções. Isso é especialmente importante quando se planeia sobreviver sozinho no “cenário” urbano, (teoria do lobo solitário) pois terás a noção de como as coisas serão difíceis.
 

2) O 'Inimigo' vai parecer, agir e falar como você.

Eles até podem ter sido seus amigos de longa data, mas agora estão no lado oposto. A luta aqui foi dividida por todos os tipos de razões, raça, religião, afiliação, herança, política e muitas vezes uma grande mistura de tudo isso. Os "lados" estavam sempre a mudar também. São apenas o 'inimigo'. Quando se trata de sobrevivência, você lutará para conseguir o que precisa ou para proteger o que você tem de quem quer que seja ... Pensamentos de que algumas forças estrangeiras invadirão o seu país, forças essas que irão parecer, agir e falar de modo completamente diferente de você e das pessoas do seu entorno, são apenas fantasias, especialmente quando falamos sobre EUA. Isso até poderá ser o caso, mas haverá muita luta "local" e sobrevivência antes disso... Sistemas fortes terão uma queda "maior e mais acentuada", há muitas pessoas e armas nos EUA para alguma força estrangeira escolher invadir e pacificar o país ... é impossível. O que é possível é "empurrar" um país para o caos, para se voltar contra si mesmo, sofrer a fome, o caos prolongado, e talvez então invadir. No final, tudo virá para cima de ti e haverá pessoas que desejarão fazer-te mal. O fato de que as pessoas que querem causar danos serem pessoas que você conhece não torna as coisas mais fáceis. Não espere por marcianos ou Russos, espere pessoas que parecem, agem e falam como você, que querem sobreviver exactamente como você. Novamente chegamos ao ponto de que serás forçado a lutar com seus vizinhos e compatriotas por recursos.

3) Como os dias serão “agitados”  

   Lutar pela sobrevivência é uma tarefa diária que preencherá dias inteiros. Você estará constantemente a caçar, limpar, colectar, encontrar informações, olhar e verificar coisas. Tudo isso enquanto estará sob o maior stress que já viveu, sob constante ameaça, com fome e sede. Não há "dia de folga", ou "break". Esta é a grande diferença entre um soldado e um civil em guerra. Um soldado tem um trabalho a fazer, e todas as suas outras necessidades são atendidas. Ele pode apenas se concentrar em seu único trabalho.
   Numa guerra civil, você (e o seu grupo) precisam cobrir todas as tarefas, o tempo inteiro... Se serviu no Exército, recebia ordens claras, tópicos, fora dos quais você não precisava pensar em muitas coisas. Havia "backup" ou "retaguarda". Seu trabalho era realizar tarefas, e outra pessoa cuidar de todas as outras coisas para que você pudesse concluir suas tarefas com êxito. Em SHTF você é a primeira unidade, retaguarda e backup. Se fizer asneira e quebrar a perna, não há evacuação médica. Se não encontrar comida (ou quaisquer outros recursos) não há serviço que fará isso por você. Serão tempos difíceis, e o dia estará preenchido na tentativa de "adquirir" coisas e terminar trabalhos. Atirar em alguém pode parecer uma ideia divertida hoje, ou romântica de alguma forma. É talvez mais romântico, em seguida, pensar em como gerenciar seus dejetos, tomar um banho ou diminuir a febre do seu filho em meio a um cenário caótico. Quando a Merda Bate na Ventoinha (SHTF) você é TUDO, porque o sistema está fora.  

4) O nível da ameaça.

      Num cenário de sobrevivência urbana , quase tudo é uma ameaça. Sim, é fácil entender ameaças como atiradores furtivos, gangs, vizinhos zangados etc, mas a falta de comida, falta de higiene, nível de contaminação, risco de doenças e lesões, de ser encontrado, ser delatado, ser enganado, capturado e muitas , muitas mais situações que constituem uma quantidade de ameaças muito maior do que a maioria poderia pensar. Basta começar a imaginar todos os "suprimentos" tomados como garantidos (combustível, electricidade, água, armazéns, serviços de emergência, etc) sendo suspensos por tempo indeterminado sem que se saiba quando voltarão. Então imagine a pior pessoa que já conheceu, alguém em quem não confiaria para ajudá-lo em qualquer situação. Agora imagine que todos ao seu redor são como essa pessoa. Então imagine que todos os lugares onde poderás escalar,passar através ou caminhar sobre poderão magoá-lo, e que em tudo o que tocares há o potencial de deixá-lo enfermo ... Acompanhou até aqui? Em caso afirmativo, talvez estejas a cerca de 40% do caminho para imaginar a realidade ... O nível de ameaça será um grande choque para no início, se sobrevives a esse choque, isso é bom, porque assim entrarás no modo de sobrevivência real. Não importa o quanto você está bem preparado, você passará por esse choque, com boa preparação e a mentalidade correta você poderá minimizar esse choque e torná-lo mais curto, e esse é o ponto principal da preparação.  


5) O realismo em defender / manter os seus bens.


Eu sei. Todos os pontos mencionados não o incomodam muito, você tem uma casa agradável, toneladas de suprimentos e prontidão para lutar. Mas como ficará o seu plano de trabalho uma vez que a sua casa ou apartamento se pareça com isto ...?
E o interior se pareça com isso..?

 

Quem está 'apto' deverá sair muito para encontrar as coisas necessárias para cada dia de sobrevivência. Quem protegerá todas as suas coisas ...? Quando um dia um grupo maior vier lhe perguntar como é que você está passando tão bem, e o que é que tens aí... Tentar proteger suas coisas deles seria uma clara sentença de morte. Ter a mentalidade adequada sobre a diferença entre defender algo e ser morto e adaptar-se a fim de sobreviver sem esses bens talvez faça sentido aqui. Terá que se adaptar ao facto de que talvez seja forçado a sobreviver apenas com as suas habilidades. Você não sabe e não pode ter certeza. Entenda que em "SHTF", cada casa da cidade ficará assim, ou pior (não estarão mais lá). Na minha cidade há muitas casas assim. Ainda é possível vê-las porque são feitas de pedra ou betão. Não se vêem as construções de madeira, porque todas elas foram queimadas ... Havia muitas, muitas coisas mais percebidas e discutidas durante o curso, e eu quero parabenizar aos alunos por terem vindo com tanto entusiasmo terem feito essas boas perguntas no curso. Logo vou escrever mais sobre o grande problema de se "compreender mal" a realidade tão presente na comunidade prepper até agora. Até lá, você pode ler mais sobre o curso 'Mile In My Shoes' aqui: Http://shtfschool.com/a-mile-in-my-shoes/http://shtfschool.com/a-mile-in-my-shoes/ Estamos a tornar esses cursos tão acessíveis quanto possível. Se tiver interesse em juntar-se a nós, poderá adicionar seu nome à lista de espera e assim que tivermos alunos suficientes, definiremos a data para o próximo curso, ou você poderá reservar um curso "privado" exactamente pelo mesmo preço, tudo o que você precisará é de um mínimo de mais dois amigos. 


Fonte: http://shtfschool.com/general/top-5-shtf-surprises/

 
 

 

 
 
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O "Enigma" dos Bancos.

                                                                   


  O sistema bancário internacional é visto como um enigma. Talvez pelo facto de existirem mais de 30.000 bancos diferentes ao redor do mundo que possuem quantidades inimagináveis de activos. Os dez maiores bancos, por si sós, contam com mais de 25 triliões de dólares.
Hoje em dia, os bancos parecem muito complexos, mas originalmente foram criados para deixar a vida mais simples.

                                                          Origem dos bancos

     No século XI, a Itália era o centro de comércio da Europa. Comerciantes de todo o continente aqui se encontravam para negociar as suas mercadorias. Mas havia um problema: moedas de mais em circulação.
Em Pisa, os mercadores tinham de lidar com sete moedas diferentes cambiavam entre si constantemente. Esse negócio de troca acontecia, em geral, ao ar livre, em bancos de rua. Daqui surgiu a designação de banco.

Os perigos da viagem, o dinheiro falso e a dificuldade de obtenção de um empréstimo fizeram os mercadores pensarem na necessidade de um novo modelo de negócios. Os corretores dessa época começaram a dar crédito aos empresários, enquanto os comerciantes genoveses desenvolveram pagamentos em moeda escritural.
As redes de bancos de toda a Europa distribuíam crédito a várias entidades, inclusive para as igrejas ou reis europeus.
Desde sempre, e numa descrição mais simples as pessoas depositam o seu dinheiro e recebem uma pequena quantia de juros em troca. O banco com esse dinheiro empresta com taxas de juros muito mais elevadas. É um risco calculado, pois sabem que alguns dos devedores entrarão em incumprimento com o seu empréstimo.
Esse processo é essencial para nosso sistema económico, porque fornece os recursos essenciais para pessoas adquirirem coisas grandes como casas ou carros e negócios por conta própria, ou para a indústria se expandir e se tornar mais lucrativa, criando assim mais postos de trabalho.
Então, os bancos com os depósitos provenientes das poupanças de pessoas e das entidades criam recursos que a sociedade pode usar para os mais diversos negócios.
Outras fontes de renda dos bancos incluem a aceitação de depósitos de poupança, os negócios de cartão de crédito, as operações de câmbio, serviços de notação financeira e de gestão de caixa.
O principal problema dos bancos nos dias de hoje é que muitos deles abandonaram seu papel tradicional de fornecedores de produtos financeiros de longo prazo em favor de ganhos de curto prazo, que acarretam riscos muito mais elevados.
Durante o boom financeiro, a maioria dos grandes bancos adoptaram aplicações financeiras que eram de difícil compreensão e fizeram suas próprias operações em uma tentativa de fazer dinheiro rápido e ganhar milhões de lucros para os seus executivos e traders. Fizeram de alto risco, o que danificou a economia mundial, particularmente em vários regiões do Globo, com fortes implicações sociais.
Exemplo disto foi em 2008, quando bancos como o Lehman Brothers concederam crédito para, basicamente, qualquer um que quisesse comprar uma casa, e assim colocaram os bancos numa posição de risco extremamente perigosa. Isso levou ao colapso do mercado imobiliário nos EUA e em partes da Europa, fazendo com que o preços das acções baixasse drasticamente o que levou a uma crise bancária global e uma das maiores crises financeiras da história. Centenas de biliões de dólares simplesmente evaporaram. Milhões de pessoas perderam os seus empregos e muito dinheiro foi perdido.
A maioria dos principais bancos do mundo teve de pagar biliões de dólares em multas e os banqueiros viram deteriorada a sua imagem de credibilidade de que até aí ainda usufruíam. Os governos dos Estados Unidos e da União Europeia tiveram de criar enormes pacotes de resgate para comprar activos podres e impedir que os bancos fossem à falência.
Novas leis e regras foram postas em vigor para regular o sector bancário. Fundos compulsórios bancários de emergência foram aplicados para absorver os choques em caso de outra crise financeira. Contudo, as reformas mais profundas continuam por fazer.
Já em 2009, William White, reconhecido economista canadiano e presidente da OCDE, advertiu que o sistema financiero mundial vivia numa situação muito periclitante, uma vez que não tinha recursos económicos suficientes para fazer frente a outra crise. Segundo ele, “o mundo sobrevem uma perigosa avalanche de dívidas incobráveis e de bancarrotas que irão pôr à prova a estabilidade política e social mundial”. Acrescentando que “a situação actual é pior que em 2007, uma vez que os recursos e engenhos macroeconómicos necessários para combater a crise estão praticamente esgotados”.

               Cabe aqui revisitar a opinião de um dos maiores filósofos que produziu o Génio Europeu há mais de dois milénios, para que possamos meditar no seu pensamento perfeitamente sóbrio, imbuído em justiça e aplicável à actualidade:  
     "Assim, das duas maneiras de adquirir e de se enriquecer, uma pela economia e pelos trabalhos rústicos, outra pelo comércio, a primeira é indispensável e merece elogios; a segunda, em contrapartida, merece algumas censuras: nada recebe da natureza, mas tudo da convenção.
O que há de mais odioso, sobretudo, do que o tráfico de dinheiro, que consiste em dar para ter mais e com isso desvia a moeda de sua destinação primitiva? Ela foi inventada para facilitar as trocas; a usura, pelo contrário, faz com que o dinheiro sirva para aumentar-se a si mesmo; assim, em grego, lhe demos o nome de tokos, que significa progenitura, porque as coisas geradas se parecem com as que as geraram. Ora, neste caso, é a moeda que torna a trazer moeda, género de ganho totalmente contrário à natureza."  (Aristóteles - "Política" - Apreciação dos Dois Modos de Aquisição)

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Como se começar a preparar (minimizando o esforço e custos)

- Fazer um Plano
O primeiro passo, e talvez o mais crítico, é fazer um plano.
Considere o que tem e o que precisa. Em seguida, descubra uma maneira de o conseguir.
Ordene as suas compras por prioridade, planeie o seu tempo e foque-se nas mais urgentes primeiro.
Divida o esforço com os outros membros da sua família.

- Fazer pesquisas
Preparar-se não é só comprar coisas. Há muito mais do que simplesmente adquirir material. Leia livros sobre preparação, pratique com pessoas da área, ou pesquise na Internet, e aprenda novas habilidades, que irão ajudá-lo durante tempos difíceis.

- Fazer o Orçamento
Seja cuidadoso com as suas despesas, faça um planeamento prévio dos gastos, porque isso vai ajuda-lo a economizar algum dinheiro extra. E esse dinheiro poderá  ajuda-lo a preparar-se mais rapidamente.

- Fazer um EDC
Fazer um pequeno EDC e leva-lo consigo sempre, não é difícil e vai ajuda-lo a sentir-se mais preparado.
Algo como um canivete tipo suíço, uma pequena lanterna, uma navalha de qualidade com lamina de +/- 7,5 cm que, por exemplo, pode cortar o cinto da carro e partir a janela em caso de acidente.
Alguns artigos que precisa, provavelmente são coisas que já tem em casa.

- Fazer um Caderno de Apontamentos
Ter informação é algo crítico, e ter tudo prontamente disponível em algum lugar (ou melhor ainda, ter várias cópias do mesmo) irá ajudá-lo em momentos complicados.
Alguns exemplos são números de telefone e locais para encontros durante uma emergência, purificar água. e outros planos.
Também é aconselhável ter um exemplar em papel de um bom manual de sobrevivência.

- Abastecimento de Combustível
Ateste o depósito quando ele estiver (no máximo) a meio, e faça com que isto se torne um hábito. Manter um depósito cheio de combustível no veículo vai ajudar em pequenas emergências (ás vezes não existe um posto por perto ou está muito distante e andar a pé até lá não é uma opção).
Sem falar que numa situação de emergência, isso pode acarretar sérios riscos ou morte, pois a sua comida, medicamentos, armas e ferramentas estarão no veículo.

 - Cordas e Nós
As cordas são muito úteis durante uma experiência de sobrevivência. Pode fazer armadilhas, construir um abrigo, etc
A lista é quase interminável. Saber alguns nós básicos vai ajudá-lo a fazer um melhor uso dos seus recursos.

- Fazer um BOB
Provávelmente até tem algumas coisas uteis consigo ou no carro…
Mas se estiver fora por um dia ou dois? E se não puder voltar para casa durante 1 semana ? Tem o que precisa?
Ter um BOB (Bug out Bag) preparado é algo que vale a pena.

- Praticar
Algumas habilidades uma vez aprendidas, nunca mais esquecem.
Mas primeiro têm que ser aprendidas, depois têm que ser praticadas.
Até pode ter a estudado sobre algumas habilidades, e na teoria saber como faze-las, mas ainda assim não seria capaz de realmente as fazer.
Pratique as suas habilidades em casa ou onde puder.
Como, por exemplo, acender uma fogueira sem fósforos, fazer um abrigo, purificar água e muitas outras…

- Fazer uma horta
As sementes não são caras, mas saber quando e como plantá-las, como regá-las e quando colhê-las não tem preço.
E isso poderá ajuda-lo a ter comida mais saudável e poupar no supermercado… além do mais importante: alguma auto-suficiência.


- Saber mais sobre plantas comestíveis
Muitas pessoas que fazem caminhadas passam por elas sem saber que podem ser uma boa refeição em situações de emergência. Aprenda a identificá-las.

- Esteja em forma
Faça desporto, seja caminhadas, corrida, ginásio, artes marciais, etc.
Não tem que ser um desportista de topo, mas iniciar uma experiência de sobrevivência em boa forma, vai dar-lhe uma grande vantagem.

- Ter livros
Arranje manuais e guias que o podem ajudar no futuro.
Procure livros sobre construção, jardinagem, criação de animais, primeiros socorros de emergência, caça e pesca, só para citar alguns.


- Aproveitar as Promoções
Procure on-line ou em folhetos por promoções de produtos que pode comprar.
Compre mais alguns artigos extra mensalmente. Lentamente, vai começar a ter o seu stock de produtos.

- Ler Blogs, Foruns e Participar
Pode aprender muito com outras pessoas com mais experiência.
Leia e participe nas comunidades de sobrevivencialismo.
E não seja apenas um consumidor de informação, partilhe as informações possui.
Não tem que ser um especialista no assunto, apenas partilhar as suas experiências, e assim aprender mais.

- Estar Atento
Esteja atento ás fontes da imprensa local, nacional e internacional. Mantenha-se a par dos acontecimentos actuais e dos efeitos que podem ter sobre si.
Desde a previsão de mau tempo, até o aumento das tensões mundiais ou a uma explosão solar, tudo pode ter impacto na sua vida.

- Pratique pequenas reparações
Tem um pequeno aparelho que está avariado?
Pesquise on-line e veja se descobre como consertá-lo antes de chamar o técnico.
Aprender este tipo de habilidades irá ser valioso no futuro, poupando até algum dinheiro a curto prazo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Regras de comportamento em áreas desconhecidas (ou como evitar começar um motim)

Lembre-se, nestes dias de crescente "multiculturalismo" é perfeitamente possível meter-se em problemas ao "quebrar  regras culturais", mesmo sem viajar para um país estrangeiro...

A consideração primordial para este tipo de problema pode ser facilmente dividido em duas categorias.
Decidir sobre um curso de acção recomendado ou exibir um comportamento que sempre pode ser realizado com este simples teste decisivo...
1) Nenhum dano pode vir a partir deste ... (inserir acção)
2) Nada de bom pode vir de ... (inserir acção)

A seguir, vejamos como isso se aplica nesta lista das 10 melhores coisas a considerar:

1. Seja observador (esteja atento)
Quebrar regras em outras culturas pode significar penalidades, de moderadas a severas.  (Vá para Praça Deera na Arábia Saudita numa tarde de sexta-feira para ver exemplos flagrantes).
Devido á potencial severidade da punição, do que podemos ver como questões "pequenas" ou menores, a requintada arte da observação deve entrar em jogo o mais cedo possível.
Examine á sua volta, compare-se com os outros, e veja de que forma se destaca, ou irá destacar-se, e em seguida, tome as medidas para solucionar essas questões rápidamente.
Ser observador não lhe irá trazer nenhum mal.

2. Mantenha-se coberto
Isto aplica-se aos homens, mas mais ainda para as mulheres.
Nenhum dano advém de cobrir tanto do corpo quanto possível, numa área desconhecida.
Se acha que realisticamente vai encontrar-se numa situação "desconhecida" como a que estamos a mostrar, então assegure-se que calças e camisas de manga comprida estão imediatamente disponíveis. Uma observação anterior deve indicar se precisa de cobrir a cabeça.
Para lenços de cabeça e similares, a menos que saiba os identificadores locais, ou de gangues (por exemplo, padrões e conotações da cor num lenço) deve o mais possível escolher os neutros e sem estilo específico.
Um exemplo:  a sua gravata azul pode parecer de grande estilo no bar do seu clube, mas provavelmente vai causar problemas no centro-sul de Los Angeles.

3. Evite Comentários
Na realidade, provavelmente os moradores ou residentes já o “marcaram” como sendo um estranho. Tentar não se destacar vai ajudar, mas um comentário a algo (especialmente um negativo ou depreciativo), não importa se é excelente, se tem piada, se estranho ou humilhante, vai levá-lo rapidamente ao “radar” das pessoas, e não num bom sentido.
Nada de bom pode vir de mencionar como são "diferentes" essas pessoas de si, ou você é dessas pessoas.

4. Mantenha-se junto aos do seu sexo
Não se tente envolver, de forma alguma, com os membros do sexo oposto. Ponto Final.
Esteja á vontade para se sentir melindrado com este conselho, mas cumpra-o sem discussão.
Se decidir não o seguir, vai aprender a fazê-lo de outra maneira...
Também sabemos que isso não é apenas sobre si. Se é apresentado a uma mulher, não lhe estenda a mão. Espere que seja ela a fazê-lo. Se lhe segurar a mão num simples gesto de cortesia, pode estar a força-la a escolher entre, insultar um convidado (você) ou tocar um homem que não é casado com ela, ou até ambas, situações estas em que pode vir a ser duramente castigado por isso.
 
5. Mantenha-se fora de áreas e edifícios religiosos
Na ausência de um guia profissional, ou clara aceitação dos turistas, as possibilidades de quebrar uma regra importante são muito grandes, por isso não vale a pena o risco..

6.  Permaneça com a cabeça “limpa”
Se baixar a sua capacidade de estar atento, e a capacidade cognitiva para entender por que precisa de cumprir com essas regras, nada de bom pode vir dai... Por isso, por favor, note que só porque vê os locais a fazer algo, não significa que também o possa (deva) fazer...  e claro, não nunca ficar bêbado ou drogado em lugares perigosos.
Mais concretamente, NUNCA alterar o seu estado mental, excepto num lugar confirmadamente seguro.
7. Não se envolva com nenhum pedido
Não dê aos pedintes, não alimente os pobres. Da experiência pessoal, não pare a criança a correr para a estrada mesmo á sua frente (é um isco para uma armadilha que não quer cair).
Não fale com prostitutas, mesmo se estiver “apenas a perguntar uma informação”, evite vendedores de rua, auto declarados motoristas de táxi, etc... Bem, concerteza que já percebeu a ideia.
Se precisar de ajuda, pergunte a alguém num lugar de alguma confiança.
Procure assistência do pessoal de serviço, garçons, donos de lojas etc.
Não pare um estranho qualquer na rua para pedir indicações ou fazer perguntas, e não fique na rua à procura parecendo perdido e / ou desorientado.
Se “inadvertidamente'” se encontrar no lugar errado, vire-se e volte por onde veio.

8. Não tire fotografias
Se já percebeu que pode não estar num local confiável e seguro, então pare de andar como um turista e a tirar fotos da pessoas e locais.
A menos que esteja  a tirar fotos dos seus dentes para análise do registo dental mais tarde, nada de bom pode vir de andar pela rua a tirar fotos e a exibir uma câmara.
 
9. Não exiba riqueza
Se é brilhante e/ou vistoso e, possivelmente caro, não o use ou oculte-o.
Vista-se de forma sóbria, simples  e que não dê nas vistas.
Esforce-se nisto, este é um ponto muito importante.

10. Seja cortês
Não espirituoso, envolvente, divertido, fascinado, chocado, piedoso, ou empenhado em  "educar as pessoas", ou qualquer outra forma que possa pensar que quer dizer "cortês '.
Nada disso, apenas genuinamente cortês.
Não esqueça que é a “carta de fora”, está sob escrutínio, qualquer coisa que corra mal será vista como potencialmente sua culpa, então não tente fazer nada "errado" (mesmo que ainda não saiba o que é errado).
Seja sincero e respeitoso nas suas acções, até que perceba o que está a acontecer...

Com estas 10 simples medidas, esperamos que "compre tempo" para descobrir a melhor forma de agir e avançar numa área até então desconhecida para si.
Ficar em problemas numa área desconhecida, tem imensos riscos adicionais.
Incitar uma multidão é uma situação em que, muito provavelmente, nunca irá escapar.

Tem algumas "regras" que segue quando está em “áreas desconhecidas” ?
Por favor, comente e partilhe as suas experiências...

Traduzido e adaptado de: www.shtfschool.com

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Saber identificar os tipos de nuvens (e estado do tempo previsivel)

Para quem pratica actividade ao ar livre, saber identificar as nuvens, e ter a noção do estado de tempo previsivel,  é algo muito importante.

A formação das nuvens é o resultado da condensação do vapor da água que está na atmosfera e se transforma em gotículas de água, ou minúsculos cristais de gelo. 
Essa formação ou aglomerado de gotículas e cristais recebe o nome de nebulosidade.

A principal diferença entre os tipos de nuvens é a altura em que elas se formam ou onde está sua base, e essa altura varia de acordo com a posição geográfica. Ou seja, aqui em Portugal, as nuvens estão em uma altura diferente das que estão no Polo Norte, por exemplo.


Stratus
São as nuvens mais próximas do chão e não ultrapassam um quilometro de distância da superfície. Quando vistas no céu, parecem um tapete.
Podem dar origem ao nevoeiro, de acordo com o clima.


Stratocumulus
De formato arredondado, esse tipo de nuvem pode ser branco ou cinzento, e em geral parece um mosaico no céu.
Quando se formam, podem causar chuva leve.
Podem causar turbulência quanto atravessadas por aviões.
 


Nimbostratus
São nuvens baixas e verticais, sem formato definido, escuras e cinzentas.
Também são volumosas, podendo ocultar totalmente o Sol.
São as nuvens mais comuns em tempo chuvoso.


Cumulus
São o oposto da nimbostratus.
Têm forma bem definida, coloração clara e parecem chumaços de algodão.
Ver uma nuvem tipo cumulus é sinal de bom tempo, mas quando crescem muito verticalmente, podem causar temporais.
 


Altostratus
Consideradas nuvens de altura média, essas nuvens são identificáveis por cobrir o sol.
Geralmente são azuladas ou cinzentas e formam-se por cristais de gelo ou gotículas de água muito fria.


Altocumulus 
Estas nuvens são as causadoras do efeito algodão que às vezes aparece no céu.
Podem estar a até seis quilômetros de distância do chão.
Ver este tipo de nuvem pela manhã pode ser um sinal de trovoada à tarde.



Cirrus
Estas nuvens são consideradas altas, pois sua distância média do solo é de até oito quilômetros.
São feitas apenas de cristais de gelo e, por conta disso, adquirem esse aspecto enovelado.
Aliás, cirrus, em grego, quer dizer cachos de cabelo, daí o nome.



Cirrocumulus
Têm aspecto enrugado e formação parecida com as nuvens do tipo cirrus, mas são mais finas e verticais. A sua distância do solo pode atingir até doze quilômetros.
Diferente das altocumulus, não formam sombras.



Cirrostratus
Estas nuvens localizam-se logo abaixo das nuvens cirrus.
São finas e leves, a ponto de não encobrirem o sol.
Em vez disso, quando estão em frente ao Sol, formam este efeito



Cumulonimbus
São as nuvens de trovoadas e tempestades, uma versão maior das cumulus.
São densas, esbranquiçadas e formam-se quando surgem as frentes frias.
São facilmente identificáveis por seu formato de bigorna e, por serem altas, são sempre visíveis da janela do avião.
 


 

Fonte: adaptado de blogbirutagaivota.com.br