quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Sobre a proposta de alteração da Lei 5/2006 (Armas...)

Caros amigos, NA "MERA" QUALIDADE DE CIDADÃO, partilho convosco este público desabafo.
A propósito da anunciada proposta de alteração da Lei 5/2006, permitam-me que faça um pouco de história, pois já ando neste “peditório” desde a fase em que a lei 5/2006 ainda estava a ser redigida pela comissão que na altura foi nomeada. Não entrando em detalhes que ocupam muito tempo, as minhas conclusões e preocupações face às anunciadas propostas de revisão do RJAM, são as seguintes:
Pelo que se sabe das diversas reuniões que o MAI tem mantido nestes últimos dias, sempre que confrontado com qualquer nova definição legal ou proibição mais absurda, refugiam-se em alegadas imposições decorrentes de diretivas comunitárias.
Depois de desmascaradas essas desculpas, passam a afirmar que o que ali está escrito não terá implicações para o grupo A ou B, apenas para o C (que são sempre os outros, que não estão presentes).
Há sempre (mas sempre!) o recurso à alusão a um posterior diploma legal que irá sair e repor a justiça (neste caso será a revisão da lei 42/2006). Contudo, a julgar pela experiência passada, quando o diploma é publicado desapareceram as “isenções” anunciadas.
Já houve diversas reuniões a contra-relógio com o MAI. Contudo, daquilo que me tem chegado (e estou a acompanhar as negociações com muita atenção), verifica-se que relativamente às questões BASILARES, nunca se discute nada!
Questões que me parecem ser as mais importantes num processo de revisão legislativa. Mas que não saltam à vista de quem está tão assustado que passa a ter por prioridade a tentativa de defender os interesses de quem representa. O que é legítimo e compreensível, note-se, mas é desta forma que se conseguem dispersar atenções e fazer passar autênticas barbaridades que à primeira leitura não são perceptíveis.
Entre essas questões basilares, encontram-se as seguintes (entre outras, pois são muitas):
Primeiro, porque num processo legislativo tem sempre que se começar por aí. Qual a justificação para legislar? Qual a justificação para proibir o que agora se vai proibir? Qual a justificação para passar a punir com pena de prisão a posse de coisas que até agora sempre foram legais?
Depois, porque por vezes isso responde a muitas outras questões:
Quem redigiu a proposta de alteração legislativa?
Que competências (técnicas, jurídicas e científicas), tem quem redigiu as novas definições legais?
Qual a justificação - caso a caso - para a alteração das atuais definições legais?
Qual a justificação - caso a caso - para a inclusão de novas definições legais?
Recorde-se que as definições legais constantes da redação original da lei 5/2006 resultaram de anos de discussão. Trabalho que foi produzido em sede reuniões de uma comissão plural (que depois se foi socorrendo de especialistas em cada matéria), comissão essa que foi nomeada especificamente para o efeito. Quem são estão estes que, agora, deitam por terra o trabalho técnico daquela comissão e porque o fazem?
Não se legisla por legislar. Legisla-se porque é necessário! Onde está a necessidade neste caso?
Que fenómenos criminais ocorreram ou que aconteceu de tão grave desde a última revisão da lei 5/2006 (ou seja, 2013), pois se agora há tanta presa nestas medidas é porque algo aconteceu entretanto!
Não. Não foi a nova diretiva comunitária, pois se só dessa se tratasse as alterações seriam cirúrgicas e nada teriam a ver com a vasta maioria do que agora se propõe tornar letra de lei.
Fala-se muito nisso, mas onde estão os dados concretos e fidedignos relativos ao número de armas "de caça" que alegadamente estão em detenção domiciliária (as tais 500.000)?
Quantas armas dessas foram furtadas desde essa última revisão legislativa da lei 5/2006?
Em que medida esse número de furtos justifica uma alteração legislativa que se consubstancia numa tão grande ingerência do Estado na liberdade de cada um e no direito de propriedade?
Se de uma pandemia se tratar, percebe-se que se tenha que recorrer a medidas extremas, mas se estivermos a falar de um número insignificante de furtos deixa de haver justificação para medidas de exceção.
Aliás, note-se que estar constantemente a legislar sobre a mesma matéria, mudando radicalmente as regras de uma revisão para a outra, destrói a confiança no Estado e é uma estratégia de política criminal contraproducente.
Se (por hipótese...) foram furtadas assim tantas armas como o MAI alega, como é que a PSP o explica, sabendo-se que os cofres e até as Casas-Fortes são obrigatórias (isto, atendendo ao número de armas que se imputa a cada caçador...) e sabendo que tantas inspeções às condições de segurança foram feitas pela PSP?
Nesta contabilidade aos alegados furtos de armas em detenção domiciliária, qual o rácio entre as armas furtadas aos "civis" e as furtadas ao Estado (sejam Forças Armadas ou forças e serviços de segurança)?
Se - como vai afirmando o MAI durante as reuniões que agora decorrem - as novas definições legais não são assim tão importantes, quer para atiradores desportivos, quer para colecionadores, porque é que as introduziram e porque mudaram as anteriores?
Porque é que ao fim de tantas revisões da lei 5/2006, só agora apareceram tão eminentes especialistas que consideram estar erradas as definições legais que agora pretendem alterar?
Porque é que se aumenta substancialmente a dose de subjetividade e se abandonam (ainda mais) os referenciais mensuráveis, inequívocos e claros, nas definições legais agora propostas?
Porque é que se criam tantas "normas penais em branco"?
Porque é que se aumenta de sobremaneira o poder discricionário da PSP?
Mais uma vez; qual a razão de certas proibições?
Qual o perigo real e como foi quantificado/avaliado, que representam as armas com “aspeto militar”?
Porque se considera que o perigo existe se as armas forem usadas na caça, mas deixa de existir se forem usadas no tiro desportivo? (A acreditar na tal exclusão que virá noutro diploma)
Porque é que o MAI está tão preocupado com o número de armas que (alegadamente...) os caçadores possuem e com as tais "500.000" armas em detenção domiciliária, mas, AO MESMO TEMPO durante as conversas tidas NESTAS REUNIÕES, vem afirmar que para os atiradores desportivos e para os colecionadores não se irão aplicar restrições?
Como é que se consegue justificar que que, no único documento de que temos conhecimento, se fomentem tantas restrições e proibições absurdas e - ao mesmo tempo - quem o promove venha afirmar que "agora" os colecionadores "até" vão poder colecionar mais e passar a ter acesso a armas de classe A (coisa que sempre esteve prevista, mas que a PSP nunca permitiu)?
O mesmo se questiona quanto aos atiradores desportivos. Sobretudo porque as armas que muitos deles agora possuem legalmente, irão passar a classe A, por força das definições legais sem nexo que se tentam impor.
Porque vem a PSP assumir competências que até agora são exclusivas do Ministério da Defesa Nacional e outras que - em certos casos - dependem desse e do Ministério dos Negócios Estrangeiros? (Estou-me a referir a todo o pacote legislativo a que se reporta a "Lista Militar Comum da Comunidade", que é - em parte, mas não só - matéria que com a redação actual está expressamente excluída do âmbito de aplicação do RJAM (vide art.º 1º, nº 2).
Como é possível que se passe a usar a Lista Militar Comum como referencial para uma lei penal que trata do que é proibido deter? Ou será que quem legisla desconhece em absoluto qual a razão que justifica aquela lista e porque motivo se reporta a legislação já existente que nada tem a ver com os crimes de posse de arma proibida?
Porque é que o MAI quer - através da alteração uma “lei ordinária”, que é a lei 5/2006 - ultrapassar o que já está consignado em "leis especiais", como são alguns estatutos profissionais e leis orgânicas que legislam sobre o uso e porte de arma dos membros das Forças Armadas e forças e serviços de segurança?
Será que devem ser tratados como iguais todos os profissionais abrangidos por tais leis especiais, sabendo-se que a sua relação com as armas e os seus níveis de treino são completamente distintos?
Fará algum sentido que, depois do legislador ter analisado (em sede de estatutos profissionais e/ou leis orgânicas) as situações particulares de cada profissional daquelas forças, venha depois a PSP ter poder total e discricionário quanto ao que eles têm já definido, naquelas leis especiais, quais os seus direitos e deveres relativamente ao uso e porte de armas, acessórios e munições?
Fará algum sentido (sobretudo a nível de prevenção criminal) que aqueles que têm o direito e dever de andar armados e que por força de especiais vulnerabilidades decorrentes da sua atividade profissional, passem a ser tratados após o seu horário “normal” de serviço, como um comum cidadão?
É que não pode ser tratado como igual o que é diferente. E o cidadão comum que está abrangido por esta lei, não tem o treino que aqueles têm, nem está sujeito ás obrigações legais permanentes (que não distinguem horários de serviço) que pendem sobre esses profissionais do Estado.
Então como se justifica a subtil alteração entre virgulas do art.º 1º, n.º 5?
Não será uma tentativa da PSP passar a ter a hegemonia de tudo o que tenha a ver som armas e afins (escrevo "afins" tendo em conta as definições legais que tratam como armas coisas que não o são) e se sobrepor ao que outros ministérios já analisaram, decidiram e sobre o qual o Estado já legislou?
Por fim:
Como é possível (e como foi permitido hierarquicamente) que quem representa o Estado, e neste caso concreto o Governo, apresente, como proposta de discussão, um documento que viola grosseiramente e de forma evidente, princípios basilares do nosso Estado de Direito e desrespeita aquela que é a pedra basilar de todas as leis nacionais?
Vítor Teixeira, Cidadão Português

sexta-feira, 29 de junho de 2018

África do Sul - contagem final

Farmlands é um filme/documentário de longa duração. Há uns meses a jornalista independente canadiana Lauren Southern foi chamada à atenção para um potencial genocídio escondido do mundo pela comunicação social. Mais do que um genocídio é a história do colapso daquele que era o país mais produtivo e promissor de África, um país e um sonho para o qual povos de outros países se dirigiam em busca de uma esperança mesmo debaixo de um regime como o do Apartheid. Atravessavam as Savanas, corriam riscos e pagavam o preço do contacto com os animais selvagens.

Nelson Mandela foi libertado e nasceu uma nova ideia para um país, o país do arco-irís, a nação do arco-íris cujas cores representam também a comunidade LGBT( Será coincidência?!?) Passados alguns anos desde a morte de Mandela as Tribos Zulus e os seus, agora no poder ou perto dele, levaram a África do Sul ao desastre. Os Zulus não são nativos originais da África do Sul, aliás os Zulus detestam os nativos originais.

Hoje, e há que chamar os bois pelos nomes, os governantes do país só dão emprego aos brancos na medida da sua percentagem na população e assim sendo os brancos, que por racismo dos próprios ou pela história de uma imigração e colonização trouxeram para o país os conhecimentos e tecnologias, são despedidos, perseguidos e mortos, mas têm já um mecanismo de defesa ,um pequeno exército pronto para uma guerra civil que começará segundo as previsões nos próximos anos. Enquanto isso ,a África do Sul tem problemas como o abastecimento de água , pois como os engenheiros brancos ultrapassam os 8% dos trabalhadores são despedidos . Enquanto isso os feiticeiros tribais andam de Mercedes e a criminalidade atinge níveis altíssimos.

FARMLANDS é uma obra de arte ,FARMLANDS é uma obra de jovens liderados por Lauren Sothern ,famosa e temida ,banida do Reino Unido mas convidada pelo parlamento Europeu para a ouvir falar sobre a forma como o próprio Reino Unido a tratou.
FARMLANDS é muito mais que um documentário ,FARMLANDS é uma obra que em conjunto com outras vai aos poucos mudando a paisagem Europeia e mundial . FARMLANDS mostra ao mundo como a comunicação social não informa.
FARMLANDS faz-me lembrar a letra de Postcard from Paris, ou  postal de Paris ,na letra se refere : Para quê mostrar um postal de Paris a quem já lá esteve e a viu.
FARMLANDS mostra ao mundo que depois de se visualizar , a comunicação social ganha estatuto de postal e é por isso que Lauren Southern é generosamente paga por milhares de “anónimos” que querem ver como as coisas realmente são.


Nada melhor, para iniciar, do que a explicação da própria sobre o projecto  ,explicação esta legendada em  Português ,assim como certos excertos ,nestes se inclui também a sua audição no parlamento Europeu perante uma comissão que quis saber porquê foi banida de entrar no Reino Unido.









Documentário completo: https://www.youtube.com/watch?v=a_bDc7FfItk&feature=youtu.be


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Doze horas - Um pequeno ensaio sobre um eventual cenário de emergência em Portugal Continental.




         Este não é um texto feito para convencer quem não tem tendência para a preparação a começar a preparar-se; até pode servir para isso, mas não é esse o principal objectivo. Este é um texto baseado em alguma experiência e numa extrapolação das relações de causa e efeito.  Um texto de perguntas e com perguntas.

       Comecemos com uma personagem fictícia, chamá-la-emos Luís. Este Luís é um "prepper", um sobrevivencialista. Anda sempre com o seu EDC , a sua navalha, o seu super telemóvel com super aplicações, a sua lanterna, o seu alicate multi-ferramentas, a sua esferográfica de metal e a sua Bandana... Até pode ter consigo a sua mochila com filtro para purificar a água, barras de cereais, um poncho simples de plástico, água, o seu flint e isqueiro, a  sua faca escolhida depois de uma exaustiva pesquisa e o seu estojo de primeiros socorros com alguma medicação; e sendo assim -  diga-se - o Luís tem comida armazenada para três meses em sua casa. Está à frente e em vantagem em relação à maioria da população na eventualidade de um temporal mais forte, um perigoso incêndio florestal , uma falha de energia resultante de um destes fenómenos, um ataque cibernético ou de um super raro EMP (pulso electromagnético, do Inglês Electro Magnetic Pulse), que pode ser resultado de uma tempestade solar de grande magnitude, ou de algo deliberado.

     O Luís está "safo", mas como todos nós, tem família ...e aqui é que começa a abrir-se o portal da verdade, porque é na família e na comunidade mais próxima que tudo se pode complicar, e que de tudo aquilo que se testa, é aqui que as coisas falham... Para já não falar dos serviços oficiais e de emergência ou protecção civil, no geral.

      São 15 horas e o Luís está em deslocação no seu automóvel ou no Metro...
   Escolhemos um dia já bem quente de Maio, o Luís está a 25 Km de casa, a energia falhou,  o Metro ou comboio ficam parados no meio do percurso, o caos e as filas geradas por acidentes devido à falta de energia eléctrica fazem o trânsito acumular-se em filas de grandes dimensões. Luís telefona para o trabalho e para a família a dizer que está retido no trânsito vai chegar tarde.
      Luís tem mais do que o seu saco de emergência: tem um plano. Ele sabe os 3 locais em que combinou com a sua mulher para um destes casos. A sua filha vai para a casa de um familiar ou para a sua casa ? É independente, já tem chaves de casa? Está na altura de já as ter ? Ou o seu filho está na creche? É bébé...? 
       Luís ouve pela rádio que no distrito onde habita está a acontecer uma falha de energia, o tempo é bom, não chove, vinte e poucos graus...  Luís está há três horas numa fila que avançou 3 Km, estudantes passam num viaduto por cima da estrada, as escolas deixaram sair os miúdos... A sua filha provavelmente vai para casa, se a escola for perto, óptimo...  A sua mulher também, ou estarão a mulher e a filha do Luís em sítios diferentes à espera da boleia do Luís?  Tu tens um plano combinado com os teus "Luís"...? Vamos ao Luís do comboio, este está parado, as pessoas saíram para os terrenos circundantes, o ar-condicionado não funciona, a rede dos telemóveis não foi cortada mas já se notam falhas devidas ao grande numero de chamadas. Milhares de pessoas querem estar com os seus e ao fim de cinco horas já todos disseram que não sabem como vão chegar ou que vão chegar tarde, que faz o Luís ?  Ele tem a sua mochila consigo, começa o caminho para casa pela linha ou por uma estrada próxima em direcção ao seu porto de abrigo ? Se faz, digamos 7 Km por hora e começou a caminhar 3 horas depois do apagão ,já está a meio do caminho, mas optou por uma opção que lhe pode causar uma situação em que a energia regressa e o comboio passa por ele com os não preparados confortavelmente instalados... Mas estes se a falha de luz durar mais de duas horas, e até devido ao stress começarão a ter sede, muita...

       A filha do Luís entrou em casa, passaram 6 horas desde a falha de luz ,teve que subir as escadas até ao sexto andar ,os pais não estão, começa a anoitecer ,a filha sabe que o pai é prepper ,está tudo bem ,a net não funciona, seca!.. A mãe nunca ligou nada a essas coisas da preparação, decidiu ir para casa no final do trabalho às sete ,uma amiga deu-lhe boleia, mas o trânsito não anda e as pessoas tem sede... 

O Luís está no carro, com calma chega o carro para a berma, fecha-o e abandona-o. A maioria dos outros motoristas começa a sentir muita sede e alguma fome... O Luís parte para o regresso a pé, passaram-se oito horas desgastantes. Fez conversa de circunstância com os condutores vizinhos...
        Decidiu caminhar pela Berma, passaram oito horas desde a falha de energia, o caos e os efeitos da desidratação fazem-se sentir nos outros motoristas. O Luís sai da estrada e esconde-se para beber, regressa à berma da estrada, mas eis que vê um bébé fortemente desidratado com uma mãe em pânico a pedir àgua para o biberão, o Luís dá um pouco da sua ou não? Há pessoas aglomeradas junto aos casos mais graves o 112 não atende e oito horas depois da falha de luz, os telemóveis falham por completo, assim como o sistema de comunicações de emergência Siresp. As baterias de reserva acabaram, são onze da noite.

        A mulher do Luís, a que pediu boleia à amiga lamenta que a amiga tenha feito o desvio por sua causa, o trânsito não flui, a amiga tem o bebé na creche, não sabe nada dele nem do marido, não pode inverter a marcha, não tem espaço, há acidentes em vários sítios da cidade, as complicações devido à falta de luz são imensas, muitas das pessoas que usam electricidade para cozinhar não o conseguem fazer. Os restaurantes e hotéis só conseguem fornecer coisas simples e frias... A amiga da mulher do Luís tem um ataque de ansiedade, a mulher do Luís tem mais calma até porque ouviu muitas vezes as ditas "conversas loucas" do marido e dos amigos mas não pode abandonar a amiga. Esta está pálida e os ataques de pânico passam a desmaios... O que deve fazer a mulher do Luís ? Abandonar a amiga, sair do carro, pedir a alguém ajuda para carregar a amiga, forçar a passagem até ao hospital ,nem que para isso tenha que subir a passeios ou até bater noutros carros, assinalar marcha de emergência? Tem sede!

   O Luís chegou a casa ,a filha está lá, a mulher já devia estar há horas. Decide deixar a filha em casa e vai verificar os lugares alternativos do plano para a mulher. O Luís é bom Prepper, tem uma bicicleta, mas esta não tem luz, mas como o Luís é prepper, carrega consigo uma lanterna; conduz a bicicleta com a lanterna numa das mãos, as ruas estão caóticas, alguém lhe pede para parar. Certos carros começam a ficar sem luz... O Luís não pára. Vai verificar a casa dos sogros, que é a quatro kms da sua.
      Ele chega - bolas! - mas ele nunca viveu na casa dos sogros, logo nunca teve a chave! Eles moram no segundo andar, tudo está escuro, a porta está fechada, não há luz para a campainha ou para o porteiro eléctrico, que é que o Luís faz ? Grita pelos sogros ou pela nome da mulher na escuridão da noite ? Parte o vidro da porta de baixo com o cabo da faca de mato para ir bater directamente à porta deles ? Não - Luís grita pelo nome da mulher e dos sogros,  ouvem-no, não há electricidade...Estão assustados, e mais ainda ficam quando se apercebem de que o Luís não sabe da filha, o pai tem uma dôr no peito resultante da apreensão e pelo alastrar da dôr parece-lhe que poderá ser um enfarte, o Luís tem um estojo de primeiros socorros mas não tem preparação de socorrismo. Há algo que deva fazer ? O quê?
      Luís decide que o sogro precisa de ir para as urgências, mas veio de bicicleta, o hospital está a 2 Kms , que deve fazer o Luís ?
     Luís faz parte de um grupo prepper, um dos membros é médico, o que tem o material de primeiros socorros mais completo . Decide ir até à moradia do médico, o grupo até tem walkie talkies mas só os utilizaram nos seus treinos de bug-out e nunca estabeleceram um momento a partir de que altura estabeleciam contacto numa catástrofe- Logo,  mesmo que tivesse trazido o seu, o do amigo até podia estar com a bateria descarregada... Ok, o Luís decidiu ir rápido, pode ser que o amigo esteja em casa, a sogra do Luís, que não é prepper e que conhece bem o vizinho sabe que filho do vizinhos, jogador de hóquei com 20 anos está em casa, bate à porta e conta o sucedido: O jovem oferece-se para carregar o sogro do Luís até ao seu carro e levá-lo ao hospital, o trânsito está a andar bem e as ruas vão ficando desertas... Próximo do hospital, a mais ou menos 250 metros está o caos instalado, há discussões entre condutores, feridos, algumas poucas ambulâncias a passar quando podem...Não dá, são carros a mais não há espaço. O sogro piora a olhos vistos...
        Luís e o vizinho abandonam o carro, carregam o sogro, mas eis que a entrada das urgências está ocupada por ciganos, estes tomaram de assalto o hospital através da coerção e da violência. Para eles os seus feridos têm prioridade... Num hospital às escuras, a forte lanterna do Luís é um chamariz...Os ciganos aproximam-se, querem que este lhes ceda a lanterna para ajudar nos diagnósticos dos seus idosos... Luís recusa e tenta negociar, mas o seu sogro entra já e é visto...Os ciganos sobem o tom, Luís avisa que carrega uma arma de fogo consigo e mostra-a... Terá sido a atitude correcta mostrar uma arma e não fazer fogo? Os ciganos recuam mas não para muito longe.... Luís chega à beira do médico, que está com marcas visíveis de agressões que sofreu aquando do confronto entre os ciganos e dois polícias que os confrontaram. Um polícia e 3 ciganos estão mortos e um outro polícia e alguns outros ciganos feridos. O Siresp não funciona - A polícia não conseguiu pedir reforços, houve tiroteio. O médico vê que Luís traz consigo uma arma de fogo, fecha a porta rapidamente e diz que ele tem que fugir rapidamente do hospital, os ciganos tem caçadeiras e carabinas nos furgões e dentro em breve irão confrontar o Luís...O que faz agora o Luís? Confronta-os, tenta reunir o seu grupo Prepper e tomar conta das urgências cada vez mais às escuras e entre os gritos de dor dos utentes...?
      O médico sabe por experiência do que precisa o sogro do Luís mas a medicação está noutra divisão. A iluminação de emergência começa-se a apagar...O médico diz ao Luís o que tem que fazer e o que tem que buscar, entretanto os gritos histéricos e os insultos entre ciganos e todos os outros pacientes sobem de tom...o Luís corre até à outra sala, entra com a lanterna numa mão e a arma na outra. Pousa a arma para procurar a medicação e os ciganos nesse momento caem-lhe em cima. É selvaticamente agredido e fica inconsciente ...O jovem que o acompanhava foge do hospital...

    Penso que já perceberam onde se quer chegar. O que falhou? O que foi mal feito ? O que nunca deveria ter sido feito? O que fariam diferente? O seu grupo prepper, o seu equipamento e os vossos planos são aceitáveis? Há sempre o imprevisto? A Lei de Murphy será realista?...

      Vamos imaginar que o Luís não tivesse o apoio do filho dos vizinhos...Talvez a  melhor decisão teria sido ir chamar o médico amigo... Mas conto-vos uma coisa: Na pressa não tinha colocado o contra-gatunos na bicicleta e esta teria sido roubada...
    Joguem sempre jogos mentais desse género, imaginem situações hipotéticas e plausíveis. Muitos preppers são capazes de conhecer as espécies das plantas comestíveis ... Ainda assim, como uma grande parte da população Portuguesa poderiam facilmente morrer nas primeiras doze horas de um blackout.
    Já agora, seria este o comportamento de certas minorias, como no caso hipotético dos ciganos ou seria algo diferente?...
    Quanto aos grupos de preppers, se os vossos planos não levarem em conta o facto de que os membros do grupo colocarão em primeiro lugar as sua famílias, é porque esses são planos pouco realistas e com uma grave falha.




segunda-feira, 2 de abril de 2018

O "Top 10" dos erros dos preppers...




1º Erro - Focar-se demasiado no equipamento em vez de adquirir habilidades necessárias: Quem é que não conhece aquele prepper que parece focado acima de tudo em adquirir equipamentos de alta qualidade? É claro que é bom ter equipamentos de qualidade, mas ainda melhor é adquirir as habilidades e competências apropriadas. Pensem no MacGyver. É óbvio que se trata de uma personagem fictícia, mas o conceito é sólido! McGyver é o sujeito que não possui nada além das suas habilidades, seu engenho, inteligência e capacidade de improvisação. A lição aqui é: Não basta ser um coleccionista de equipamentos úteis; o ideal é adquirir os mais variados conhecimentos e habilidades.


2º Erro - Não possuir um plano para falta de água: Muitos preppers dão mais ênfase às reservas de alimentos do que às reservas, fontes e estratégias para obter, purificar ou mesmo reciclar a água. Nada se faz sem água, ela é fundamental não só para a nossa hidratação e preparação de alimentos, mas também para a higiene.


3º Erro -  Não possuir uma biblioteca!.. Vivemos na Era Digital, onde tudo está online, num tablet ou smartphone. Numa situação realmente catastrófica, todo esse conhecimento poderá estar inacessível.
         Independente da quantidade de conhecimento que tenhas, é sempre uma boa ideia ter uma biblioteca mais diversificada quanto possível: tudo é válido, desde química básica e técnicas de sobrevivência a livros sobre plantas medicinais e clássicos da literatura Universal.


4º Erro - Não fazer "rotação" de suprimentos: Varie a sua comida, água, baterias, equipamentos e tudo aquilo o que for utilizável. Não armazene coisas que nunca vai usar. Se tiveres uma despensa, consuma os seus alimentos e reponha-os, se possuir um reservatório de água, use e reponha.


5º Erro - Negligenciar a higiene: Não ter produtos de limpeza e higiene pessoal, erro gravíssimo. A higiene oral (algo largamente negligenciado por muitos preppers) também é algo fundamental. Quanto mais limpo fores, mais saudável serás. Numa situação catastrófica isso pode fazer toda a diferença!


6º Erro - Pressa e precipitação: Onde vais? tem calma, respire!.. Muitos preppers iniciantes têm-se tornado paranóicos com o facto de não se conseguirem preparar rápido o suficiente - faz sentido... Mas isso os sobrecarrega e essa sobrecarga faz com que cometam erros - Compram coisas das quais não precisam, gastam muito dinheiro e negligenciam coisas nas quais deveriam ter atenção.

7º Erro - Não possuir plano de segurança: Estás em retirada (bugging out)? - Poderás não ser capaz de fazê-lo. Estás a "resistir" (bugging in)? Poderá ser necessário evacuar a área. Qualquer que seja o seu plano inicial, será necessário um plano B para o caso do A não funcionar, e depois disso, também é boa ideia ter um plano C, D e E.

8º Erro - Não testar o seu equipamento e a SI PRÓPRIO! Como já foi dito antes; Há por aí muitos preppers que limitam-se a armazenar coisas - NÃO SEJAS ESSE TIPO! Teste o seu equipamento, saiba como funciona; esteja confortável com ele, e o mais importante, testa a ti próprio, saia da sua área de conforto e use as suas habilidades - Não possuis nenhuma? - Pois aprenda algumas, treine, adquira experiência. Isto afinal é o que conta.

9º Erro - Não incluir toda a gente à sua "Família Imediata": Ênfase em "família imediata" - A família pela qual és directamente responsável, ainda que essas pessoas não tenham acreditado em ti no que toca a sua previdência com a preparação; o que infelizmente é uma grande preocupação em muitas habitações preppers. Você ainda é responsável por eles e não gostaria de abandoná-los em tempos de crise, então prepare-se por eles, ainda que eles não se tenham preparado por eles próprios. Certifique-se de que eles saibam onde está tudo, na eventualidade de não estares por perto. Eles poderão não agradecer no momento, mas talvez o façam posteriormente.

10º Erro - Ser tacanho a respeito do cenário para o qual te estás a preparar: Se vives numa zona de furacões, deves te preparar apenas para a eventualidade de um furacão? Não. O Ideal é estar preparado para o maior número de cenários possíveis...

Em princípio eram apenas 10 erros, mas o autor do vídeo vos oferece mais um, por cortesia:

11ºErro - Jamais conte a todos acerca dos seus esforços de preparação. Todos na vizinhança dirão que estás louco mas na eventualidade e uma crise, terás um alvo gigante estampado nas costas e rapidamente se lembrarão de ti. Portanto, seja selectivo em relação às pessoas com as quais comunica acerca da sua iniciativa.

                                                            * * *

                                                                           Tradução livre por Geraldo Legio.